Batistas conclamam congregações à ação social

A Carta de Rio Bonito

Rio de Janeiro, segunda-feira, 20 de abril de 2009 (ALC) – Jovens batistas do Estado do Rio de Janeiro comprometeram-se a não silenciar frente às questões sociais, exercer a justiça social e a incentivar as igrejas locais a prestarem serviços através de diálogos com instituições de saúde, educação e de defesa de direitos.

Entendemos que a situação de injustiça social, pobreza, fome, desigualdades, corrupção ofendem o caráter do nosso Deus – Justo, Santo, Salvador e Libertador”, e que a mensagem de Jesus Cristo “foi revolucionária nos sentidos espiritual, moral e social”, diz a Carta de Rio Bonito, local onde jovens batistas se reuniram em Congresso, nos dias 9 a 12 de abril.

A desigualdade social no Brasil fere os princípios do reino de Deus e a presença da fome num país de grandes riquezas naturais é um escândalo, afirmam batistas.

Eles repudiam a omissão da Igreja de Cristo frente às necessidades sociais do país e a religiosidade desenvolvida em quatro paredes, que não transforma nada. Também repudiam “o evangelho interpretado e pregado como oferta de prosperidade, que não reflete a justiça do reino de Deus, alienando pessoas”.

Questionam o mau uso dos recursos naturais, a desvalorização da família, o individualismo e as diversas formas de violência praticadas na sociedade. Jovens batistas repudiam as formas de exploração do ser humano, como o trabalho infantil e escravo.

Por tudo isso, eles se comprometem a orar constantemente pela situação social do país, pelas autoridades civis e pela liderança eclesiástica.

Carta de Rio Bonito

Nós, jovens batistas do Estado do Rio de Janeiro, reunidos no Congresso Juventude Ativa, na cidade de Rio Bonito-RJ, no dias 09-12 de Abril de 2009, nos manifestamos sobre a realidade social do nosso país.

Entendemos que a situação de injustiça social, pobreza, fome, desigualdades (raça, gênero, econômica etc.) corrupção, ofendem o caráter de nosso Deus – Justo, Santo, Salvador e Libertador – conforme revelado em sua Palavra (A Bíblia).

Compreendemos que a vida e mensagem de nosso mestre e Senhor Jesus Cristo, que pregou e manifestou o Reino de Deus, foi revolucionária nos sentidos espiritual, moral e social. É em nome dEle e de Seu Reino que falamos.

A) Repudiamos

a. A desigualdade social marcante no Brasil, porque fere os princípios do reino de Deus;
b. A omissão da igreja de Cristo frente às necessidades sociais do país e a religiosidade vã e estéril desenvolvida em quatro paredes, que leva ao não desenvolvimento de projetos que visem mudar a realidade social ao redor da igreja local;
c. Toda espécie de corrupção e falsidade nas relações sociais, sobretudo no campo político.
d. As formas de exploração do ser humano como trabalho infantil e trabalho escravo. Também as condições de trabalho e renda que não garantem ao cidadão o sustento familiar, o direito ao lazer e às condições básicas de saúde;
e. Todas as formas de preconceito e discriminação social, cultural, racial, econômica e de gênero.
f. As diversas manifestações da violência praticadas em nossa sociedade: Física, sexual, psicológica, contra qualquer grupo populacional, sobretudo mulheres, crianças, adolescentes e idosos. Também a utilização de menores no tráfico de drogas;
g. A destruição do nosso planeta e o mau uso dos nossos recursos naturais engendrados por forças produtivas estrangeiras e nacionais, que comprometem a vida da atual e das futuras gerações;
h. A não efetividade dos direitos sociais garantidos na Constituição Federal Brasileira;
i. O escândalo da presença da fome num país de grandes riquezas naturais (Terras produtivas e farta condições de produção e distribuição de alimentos);
j. A banalização da vida e insensibilidade em relação à morte, principalmente as previsíveis e evitáveis;
k. O individualismo que acaba por alienar as pessoas frente às necessidades alheias e coloca em segundo plano o interesse coletivo;
l. O evangelho interpretado e pregado como oferta de prosperidade, que não reflete a Justiça do Reino de Deus, alienando pessoas;
m. A desvalorização da instituição família.

B) Nos comprometemos a

a. Orar constantemente pela situação social de nosso país, pelas autoridades civis assim como pela liderança eclesiástica;
b. Contagiar cada vez mais jovens a exercer a justiça social, utilizando nossas organizações de juventudes (JUBAS) locais e regionais como mobilizadoras de ações sociais nas cidades;
c. Estarmos atentos às questões sociais e não ficarmos em silêncio – “O que me incomoda não é o grito dos maus e sim o silêncio dos cristãos”. (Parafraseando M. Luther King Jr.)
d. Doar nossas vidas em prol do bem-estar social, físico, emocional e espiritual de nossos semelhantes a exemplo de Jesus Cristo, nosso senhor e mestre, cuja vida entregou por todos os seres humanos;
e. Preservar o meio ambiente de todas as formas possíveis;
f. Buscar o bem comum ao invés de nossos próprios interesses em primeiro lugar; amando o próximo de forma prática. “Não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade” (IJo 3.18)
g. Incentivar nossas igrejas a se aproximarem de suas comunidades locais, prestando serviço através de diálogos com instituições de saúde, educação, defesa de direitos etc.
h. A não sermos omissos, nem negligentes com o cumprimento de nossos direitos e deveres estabelecidos em lei;
i. Sermos promotores da paz e da não violência onde estivermos;
j. Identificar necessidades e demandas das comunidades em que vivemos e criar estratégias visando ao atendimento das mesmas;
k. Buscar conscientizar pessoas, na igreja e comunidade local, sobre os problemas sociais através da realização de fóruns, debates e palestras sobre temáticas sociais;
l. Sermos sempre éticos e verdadeiros nas nossas relações pessoais, familiares e profissionais;
m. Lutar por manter esse compromisso que nasceu no congresso Juventude Ativa 2009.

Somos filhos de Deus! Jovens que amam a Jesus e vamos lutar, onde estivermos, por paz, justiça e vida.

Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo!” (Rm 14.17)

[Essa carta foi elaborada conjuntamente pela liderança da Juventude Batista do Rio de Janeiro – JUBERJ e mais 80 líderes de Jovens que atuam em diversas igrejas Batistas do Estado do Rio de Janeiro].

Fonte
Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC).

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