Amor sem escalas

Leveza sem escalas

por Taís Machado
Ser leve é uma espécie de mantra hoje em dia. Se você não tem isso como meta, então, você tem algo de errado. Mais do que a obsessão por um corpo escultural, o culto à forma física perfeita, a busca incessante por ter cada músculo bem definido – talvez como resposta à insegurança diante de tantas indefinições -, propaga-se uma “leveza” como filosofia de vida. Do que se trata?
Bem, a sugestão é a crença na necessidade de não se prender a nada e nem a ninguém. Tudo é temporário, light. Esqueça qualquer envolvimento mais forte, nada de compromisso sério, isso pode ser uma armadilha que irá te escravizar, então, seja leve, livre, autônomo na vida. Saiba que a pessoalidade geralmente é uma cilada.
Cuide para não se prender a nada em longo prazo, é sinal de perigo. Não seja retrógado. Não se enrosque, defenda-se. Saiba se proteger, tenha saídas alternativas em vista. Não carregue peso extra. Não tenha problemas em sua coluna emocional, e para tanto, desprenda-se, evite, largue. Seja mais você, sem amarras.
O filme Amor sem Escalas (infeliz “tradução” para o pertinente título Up in the Air) brinca com isso, numa fina ironia. “Sua vida deve caber dentro de uma mala” é o que ensina o protagonista Ryan Bingham (George Clooney), um demitidor de elite, um “demissor” profissional, ou seja, um especialista no trabalho sujo de despedir pessoas.
Para ele, por exemplo, prender-se a números (meta de atingir dez milhões de milhas no ar) é melhor do que se apegar a pessoas. Trata-se de uma figura descompromissada, em certo sentido. Ele promove um jeito de viver, um aprender a ser com essa tal leveza, através de palestras motivacionais sobre “Como Esvaziar a Sua Mochila” (e esse tipo de autoajuda vende tanto hoje em dia!).
Ao colocar uma bela mochila bem à frente, ele questiona numa tentativa de fazer a plateia sentir o quanto pesam as tralhas materiais e os laços afetivos acumulados ao longo da vida. Então, para que carregar peso extra? No que consiste sua vida?
O filme mostra-o como um especialista em fazer malas em poucos minutos, numa cadência suavemente ritmada, roupas e pertences são milimetricamente acomodados em uma mala pequena. Praticidade é uma palavra atraente em nosso tempo.
Esse tubarão corporativo que viaja pelos EUA despedindo pessoas sabe ser frio, aprendeu a não se comover com reações destemperadas pela angústia e pelos discursos de desesperados. Além do mais, quanto maior a crise financeira, o que significa também corte de pessoal, mais aumenta seu serviço. Alguém sempre está lucrando alto por trás de tudo. É o jogo de perdas e ganhos, como se diz popularmente, “tristeza de uns, alegria de outros”. Sim, esse mundo é cruel, por isso mesmo, seja esperto, carregue só o essencial, não se deixe levar por fraquezas e chamariz para inocentes, seja rápido, eficiente, e saiba se alegrar mesmo que quando para isso outros tiverem que sofrer.
É um raciocínio convincente por misturar premissas verdadeiras com fonte de morte. Uma maioria de distraídos tem aderido. Claro que cuidar de uma alimentação e um corpo saudável é necessário e bom. Verificar o que você tem carregado e acumulado em seus anos de vida é importante. Saber abandonar pesos desnecessários faz bem a saúde, contudo, alguns “pesos” fazem bem para a musculatura da alma.
Avaliar o que é essencial é o que Jesus nos convida a fazer. Mas viver num mar de impessoalidade e ter alergia a compromisso é desconhecer o evangelho, é estar morto sem saber. E defuntos ambulantes não faltam! “Deixem os mortos sepultarem os seus próprios mortos; você, porém, vá e proclame o Reino de Deus”, disse Jesus a um interessado em segui-lo (Lc 9.60).
Nesse Reino de Deus as relações são pessoais e profundas, almas se tocam e se fazem parceiras, e o espírito é cada vez mais leve, porque a verdade liberta (Jo 8.32).
Peso extra? Jesus fala em “fardo leve”. Ele é quem convida: “Se você estiver cansado, sentindo-se sobrecarregado, venha descobrir o que de fato lhe tem pesado. Descubra o que você pode e deve carregar. Venha aprender sobre mansidão e um coração humilde, vem comigo que lhe mostro como é ser assim. Venha encontrar o descanso que o seu íntimo tanto anela” (Mt 11.28-30).
Uma vida à parte de Deus é pegar a trilha errada, que dá em morte. O pecado de errar o alvo, pesa. O pecado de viver por máscaras, pesa. Viver em fuga, viver preocupado em se proteger o tempo todo é um peso que cedo ou tarde torna-se insuportável. A graça de Jesus torna-nos verdadeiramente leves. Há uma alegria incomparável nessa descoberta. Vive-se celebrando a verdade. O que não é essencial vai sendo deixando de lado, e o sabor dos encontros ganham aromas fascinantes e o apetite da alma solicita relações pessoais.
O filme é muito bom. Divirta-se e reflita.

Tais Machado – alguém não tão leve, mas que procura agarrar-se à graça de Cristo e ouvir diariamente o convite de Jesus.

Fonte: http://www.cristianismocriativo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=494&Itemid=31

Extraído do Blog Pensar e Orar: http://pensareorar.blogspot.com/2010/03/leveza-sem-escalas.html

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