ENTRE DOIS PROJETOS (Dilma X Serra, 2010)


Os 776.601 eleitores que votaram em candidatos do PSOL aos governos estaduais, 886.816 teclaram, convictamente, Plínio 50, os mais de 1 milhão que votaram em candidatos a deputado do PSOL e os mais de 3 milhões que escolheram candidatos ao Senado pelo PSOL não precisam de ‘tutores’: são livres, têm espírito crítico e votam, sempre, de acordo com sua consciência. Os nossos mandatos, daí derivados, serão exercidos, portanto, com total independência em relação aos Executivos e na defesa radical dos interesses populares, sem adesismos e sem negação de fronteiras éticas e ideológicas. Aos poucos, o PSOL, ainda incipiente, se afirma como partido com visão singular, combinando o embate eleitoral com a valorização dos movimentos sociais, dentro de sua definição estratégica de ressignificação do socialismo.

 

1. Partido Político digno do nome também deve se posicionar sobre momentos conjunturais, dando assim sua contribuição para a análise da situação e para a definição de voto da cidadania. Quando a manifestação política for emergencial, limitando, por questão de tempo, o processo democrático de discussões desde a base, que ela seja tomada pela Direção, por óbvio sem qualquer caráter impositivo, até pelas razões apresentadas acima.

 

 

2. O 2º turno das eleições presidenciais, a ser realizado no dia 31 próximo, coloca     em confronto dois projetos com muitos pontos de aproximação: o representado por Dilma (PT/PMDB e aliados) e o representando por Serra (PSDB/DEM e aliados).

 

3. As classes dominantes no Brasil – que exercem sua hegemonia nos planos econômico, político e de produção do imaginário social – não se sentem atingidas, em seus interesses estruturais, por nenhum dos dois. Mas preferem, clara e reiteradamente, o retorno do controle demotucano: a elas interessa mais o Estado mínimo e a privatização máxima da Era FHC do que a despolitização máxima e o Estado minimamente regulador do lulismo.

 

4. PSDB e DEM – para além da campanha ‘medieval’ coordenada pelo vice de Serra, que anuncia o ‘fim da liberdade de culto’ e outros obscurantismos com a vitória da ‘terrorista’ candidata petista – reprimem abertamente movimentos populares e não aceitam política externa que saia dos marcos do Império. Todo o setor de oligarquias patrimonialistas ou ‘neopentescostais’ que hoje gravita em torno de Lula rapidamente se bandeará para o lado de um eventual governo Serra, assim como os banqueiros, apesar de seus lucros extraordinários e inéditos no período recente.  Serra presidente é o ‘sonho de consumo político’ do conservadorismo total, uma de suas principais bases de sustentação.

 

5. Por tudo isso, optamos pelo voto crítico em Dilma no dia 31 de outubro, afirmando desde já nossa forte cobrança programática* sobre o futuro governo nacional, qualquer que ele seja.

 

*Reforma Política c/ Participação Popular e financiamento exclusivamente público de campanha, Auditoria da dívida pública, Reforma Agrária, Reforma Urbana, meta de 10% do PIB na Educação e 2% para a Cultura, mais recursos para a saúde pública, forte combate à corrupção, garantia e ampliação dos direitos trabalhistas, política ambiental questionadora de transgênicos, privatização da gestão de florestas, Belo Monte, transposição do São Francisco e da flexibilização do Código Florestal.

 

ASSINAM: Deputados Federais Chico Alencar, Ivan Valente, Jean Wyllys, Senador eleito Randolfe Rodrigues, Deputado Estadual Marcelo Freixo, Vereador Eliomar Coelho, dirigentes nacionais Jefferson Moura, Milton Temer, Carlos Nelson Coutinho, José Luiz Fevereiro, Rodrigo Pereira, Edson Miakusco.

Eu, Fabio Pereira, também assino esta nota.

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3 Comentários

  1. 15 de outubro de 2010 às 22:44

    Foi muito bom ler esse post, me ajudou dar diretrizes de como refletir nessa campanha tão efusiva. Parabéns, pelo cuidado e sensatez ao postar.

  2. Luis Pinto said,

    16 de outubro de 2010 às 12:50

    Parabéns por deixar claro sua posição, o projeto do PSol me deixa muito alegre.

    Se mostra cada vez mais ético e não foge da análise política.
    Pode contar comigo Fabio um grande abraço.

  3. Phellipe M. said,

    16 de outubro de 2010 às 13:01

    Fabio, cuidado com isso: “política ambiental questionadora de transgênicos, privatização da gestão de florestas, Belo Monte, transposição do São Francisco e da flexibilização do Código Florestal.” Pode parecer que vocês estão favoráveis ao que vem depois de “transgênicos”. Rs.

    Abraços e assino embaixo


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