Exposição: A HISTÓRIA DA FAZENDA DO IGUAÇU

exposição

A HISTÓRIA DA FAZENDA DO IGUAÇU

os sinais do caminho no tempo

 

A HISTÓRIA DA FAZENDA do Iguaçu nasce e se materializa a partir dos sinais de um caminho já experimentado por outros sujeitos, num tempo antes de agora. Em se virando exposição, os sinais se vestem do próprio tempo para dizer. E contam com olhares acolhedores: para enxergar, ofertar e escutar esta história e tantas. Que enxergar exige vocação para ir se constituindo de restos, conchas, caquinhos e algum porvir. É dos sinais acolhidos pelos sujeitos que o tempo, em descansar, inventa o pertencimento. Como essa exposição.

A EXPOSIÇÃO “A História da Fazenda do Iguaçu”, em processo, se apresenta como primeiros escritos. É parte de um conjunto de ações de musealização dos vários Lugares de Memória do percurso do Museu Vivo do São Bento. Que seja material sinalizador da ação humana em um lugar, num tempo de longa duração, possibilitando aos visitantes e pesquisadores, autonomia para compreendê-la.

NOS PRIMEIROS ESCRITOS se apresentam aspectos que vão do início da ocupação humana ao Tempo Presente, nas fronteiras da Fazenda do Iguaçu, primeira propriedade lusitana no território que chamamos atualmente de Baixada Fluminense.  A sesmaria doada ao Ouvidor-mor Cristovão Monteiro, em 1565, tornou-se um engenho com produção de açúcar, aguardente, garapa e, em 1591, após a morte de Monteiro, foi doada por sua viúva e seu sogro à Ordem do São Bento, instalada, no mesmo ano, no Rio de Janeiro. A Fazenda do Iguaçu, também chamada de São Bento do Iguaçu, esteve sob a administração dos beneditinos até 1922, quando foi desapropriada pela Empresa Pro–Melhoramentos para fins de saneamento e colonização. A exposição situa a Fazenda no contexto da administração dos beneditinos em todo o período colonial e imperial.

DO SÉCULO XX, a exposição traz algumas referências significativas que alteraram a paisagem natural e os costumes. As ações empreendidas pelas comissões de saneamento e, posteriormente, pelo Estado Brasileiro, transformaram o território nomeado atualmente de Grande São Bento em palco de recepção de projetos de colonização, de pesquisa, de desenvolvimento e de políticas de assistência e abrigo para menores. Os projetos de desenvolvimento deixaram impactos perversos de degradação ambiental, de contaminação química, de poluição industrial e armazenamento do lixo metropolitano do Rio de Janeiro. As injustiças ambientais foram ampliadas, recentemente, com a retirada de saibro do

Morro do Céu e com as ocupações irregulares em terras públicas, caracterizadas como área de reserva; ou seja, área de preservação de mangue e de planície de transbordo natural das águas da bacia do Iguaçu. Acrescente-se ainda outro ingrediente: o de situar-se em área de risco de poluição do ar e de acidentes industriais do pólo petroquímico.

FINS DO SÉCULO XX e comecinho do século XXI trazem notícias de um território que passa a crescer rapidamente, com o surgimento de novas ocupações populares. Também abriga investimentos educacionais e culturais como a FEUDUC, as escolas municipais e estaduais, o Museu Vivo do São Bento, a Casa de Retiro São Francisco, a PUC Rio, o Moto Clube Veneno da Cobra, o Centro Comunitário Novo São Bento, o Núcleo de Cultura Nordestina, a Folia de Reis Flor do Oriente etc.

É O TEMPO, grávido de incompletude, quem convida palavras e expressões como abrigo, manifestação cultural e educacional, conformação, degradação ambiental, resistência, produção agrícola, pesquisa e museu para compor-invocar-revelar história maior: o contínuo movimento que se faz e se desfaz pela sua respiração. No ar, o devir.

FEITA DESSA MATÉRIA, esta exposição se refaz em convite ao sonho e à luta coletiva. Pois que ela É.  E se fez a partir de muitas parcerias, dentre estas estão o Polo avançado da PUC–Rio em Duque de Caxias, o Instituto São Bento, a Secretaria Municipal de Educação e a CISV (uma ONG italiana que apoia o Projeto Comunidade Viva do São Bento). Também contou com o apoio do SEPE/Núcleo Duque de Caxias, do CEPEMHEd, do IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus), da Associação de Professores Pesquisadores de História, da SEE/RJ – Regional Metro V, da Associação de Amigos do IHDC e do PIMBA/FEBF.

QUE SINALIZE O SONHO como uma ação compartilhada por muitos. Todos os dias: em lutas pelos financiamentos, desapropriações, convencimento da importância de cada passo; pois muitos são aqueles imbuídos da missão de tornar realidade o sonho de amor por esta cidade e por seus moradores; o sonho de amor pelo patrimônio, pela vida e pela arte humana.

Marlúcia Santos de Souza

Historiadora – Coordenadora do CRPH

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3 Comentários

  1. 14 de dezembro de 2010 às 18:08

    […] os detalhes com Fábio Pereira clicando aqui. Clique na imagem abaixo para ampliar o […]

  2. Marta said,

    14 de dezembro de 2010 às 23:14

    Que bacana!!! Gostaria de poder estar ai para ver a exposição! Nada melhor para se construir um futuro melhor se entermos o nosso passado. Realmente, “enxergar exige vocação para ir se constituindo de restos, conchas, caquinhos e algum porvir. É dos sinais acolhidos pelos sujeitos que o tempo, em descansar, inventa o pertencimento.”

    Parabéns por sempre divulgar o que vale a pena.
    Abraço forte
    Marta

  3. Marta said,

    14 de dezembro de 2010 às 23:15

    A dislexa: Entendermos (perdão)


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