The Corporation

Gostei muito desse filme. Fez-me pensar, repensar e sedimentar minha visão de mundo, alimentar utopias e manter acesa a chama da esperança. Recomendo muito que você assista! Se possível, com grupo de amigos/as, para posterior debate.

Além das locadoras, tem disponível no Google Vídeos – e no YouTube em várias partes –

Transcrevo a opinião do Clayton Severiano, que traduz bem minha visão do filme:

“Considero o filme The Corporation (As Empresas, ou As Corporações) fundamental para a compreensão do sistema econômico e político em que vivemos.

Acredito que a psicologia social, ou a psicologia de um modo geral, não possa ignorar o impacto fulminante que têm as empresas nas nossas vidas, os problemas generalizados de saúde (incluídos aí os da saúde psicológica) que elas podem causar de forma direta e indireta, já que, ou trabalhamos para elas, ou, se somos pequenos proprietários ou profissionais autônomos, o poder que elas exercem nas grandes economias nos atinge diretamente.


The Corporation é um documentário americano feito por um grupo de pessoas que resolveram esclarecer algumas coisas não ditas pelo sistema capitalista. A temática se concentra em torno de como as empresas não têm e nunca tiveram, de forma efetiva e eficaz, uma Responsabilidade Social. O filme coloca as Empresas em um divã e mostra, nas estranhas, as artimanhas utilizadas pelas grandes empresas para iludir, enganar, esconder, maquiar, sabotar, corromper, subornar e até matar as pessoas que atravessam o caminho delas.


As Pessoas Jurídicas são aparentemente entidades com vida própria e não evidenciam as pessoas físicas que estão por trás delas. Elas se coligam, na maior parte das vezes de forma muito sub-reptícia, aos grandes grupos de poder, dentre os quais se destacam o Estado com seu aparato de guerra, a Indústria Bélica, os Banqueiros, a Mídia, e as agências como a Igreja e a Escola.


O filme é longo e denso, tive que assisti-lo duas ou três vezes, e além das locadoras, está disponível no YouTube.

O filme me mobilizou a ação: participar ativamente das decisões de grande impacto para a sociedade, que na maioria das vezes, são políticas: identificar de forma muito clara as práticas herdadas do império romano de “pão e circo” que pagam um salário ínfimo ao trabalhador(a) (um “pão seco” para matar a fome) e entopem a cabeça desse(a) mesmo(a) trabalhador(a) com muito circo (só futebol, só telenovela, etc). Saciadas com o “pão seco” e alienadas pelo “circo”, esses(as) trabalhadores(as) não denunciam a exploração das longas jornadas de trabalho, dos salários baixos, das péssimas condições de trabalho, da falta de saúde, de lazer e de educação, da falta de moradia, da omissão e conivência do Estado com tudo isso e, principalmente, da perda da DIGNIDADE”

Clayton Severiano em http://claytonseveriano.com.br/?p=77.

Trechos de depoimentos no filme:

“Como a maioria das empresas é administrada por brancos ricos, eles não têm contato com a maioria do mundo, pois a maioria do planeta não é constituída por brancos ricos, mas sim de pessoas de outras raças. Elas são a maioria. As mulheres são a maioria, os pobres e os empregados pobres compõem a maioria deste planeta. As decisões que eles (empresários) tomam não são baseadas na realidade que existe na maior parte do mundo”

Michael Moore é cineasta, documentarista e escritor.

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“Privatização não significa pegar uma instituição pública e repassá-la a uma boa pessoa. Seria dar a instituição pública a uma tirania que não presta contas. As instituições públicas têm muitos benefícios colaterais. Elas são administradas com prejuízo. Não buscam o lucro. Podem ser administradas com prejuízo de propósito por causa dos benefícios colaterais. Se uma siderúrgica pública tem prejuízo ao vender aço barato para outras indústrias, talvez isso seja bom. Instituições públicas podem ter uma propriedade cíclica inversa. Elas podem manter empregos durante uma recessão, o que aumenta a demanda e ajuda a sair da recessão. Uma empresa privada não pode fazer isso numa recessão, dispensa os funcionários, porque é assim que ganha dinheiro”

Noam Chomsky é lingüista, filósofo e ativista político estadunidense.

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“Pedir a uma corporação que seja socialmente responsável faz tanto sentido quanto pedir a um edifício que o seja”

Milton Friedman, economista, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 1976.

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“Algo interessante no debate atual é o conceito de quem cria riqueza. A riqueza só é criada quando é possuída privadamente? Como chamaria a água limpa, o ar puro, o ambiente seguro? Não somos uma forma de riqueza? Por que só se tornam riqueza se alguém os cerca e declara propriedade privada? Isso não é criação de riqueza, é usurpação de riqueza. Através dos séculos colocamos mais e mais coisas sob a tutela pública. Mas nas últimas três ou quatro décadas, fizemos o inverso. Os bombeiros, por exemplo, começaram como empresas particulares. Se você não tivesse o contrato de uma brigada de bombeiros e sua casa incendiasse, eles nada fariam, você não tinha contrato. Gradativamente evoluímos para um sistema que oferece segurança em um nível específico. Não deveríamos regredir e dizer: ‘Que tal voltarmos ao mercado e vermos o resultado? Talvez seja mais eficiente’” [Trecho que vários participantes narram].

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A Corporação (The Corporation)

Direção: Mark Achbar e Jennifer Abbott

Roteiro: Joel Bakan

Canadá, 2004.

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3 Comentários

  1. Renata said,

    8 de março de 2011 às 1:02

    Valeu o seu trabalho de pesquisa nesse artigo, pois me despertou grande intersse e creio que despertará em muitos outros leitores do teu blog. Agora que faço parte de uma minoria que tem acesso a internet banda larga vou assistir. Até o Anderson se interessou, vamos assistir várias vezes também se for necessário e depois te conto o que achei .

  2. heraldo hb said,

    11 de março de 2011 às 0:12

    Cara, esse filme é daqueles indispensáveis e necessários.
    E legal que ele dialoga muito com o Milton Santos, Por Uma Outra Globalização, do Silvio Tendler. Tu viu esse? Se não…

    abraço!

  3. 13 de março de 2011 às 17:11

    Excelente filme (documentário).

    Assistimos assim que saiu, por determinação de uma professora da faculdade de Administração. Altamente recomendado não só para profissionais da área gerencial, mas para todos os jovens de outros níveis escolares, pela mensagem de fácil compreensão.

    Excelente mensagem para uma boa formação ética e profissional, além de ser um alerta para a humanidade.


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