Mitos e Verdades sobre as armas de fogo

Acho pertinente, diante de mais uma tragédia com arma de fogo, a seguinte reflexão sobre alguns mitos:

Mito 1: “Com uma arma na mão, eu me defendo e defendo a minha família”.

Verdade: Com uma arma na mão você tem mais chances de morrer e de colocar sua família em risco. Sabe por quê?

  • O uso da arma da vida real não é como no cinema, em que o mocinho sempre se dá bem; O criminoso normalmente é quem tem a iniciativa, e o “fator surpresa” joga a favor dele.
  • Armas são instrumentos de morte. Você está pronto para possivelmente matar alguém e lidar com as consequências disso?
  • A arma se vida contra a própria família: crianças as encontram; situações de ciúme e de violência doméstica podem se tornar fatais; ladrão encontram armas e fazem a família do dono da arma de refém…

Segundo o FBI, “para cada sucesso no uso defensivo de arma de fogo em homicídio justificável, houve 185 mortes com arma de fogo em homicídios, suicídios ou acidentes”.

Mito 2: “Em vez de desarmar o cidadão de bem, desarme o bandido!”

Verdade: O Estatuto do Desarmamento não só estimula a entrega voluntária de armas, mas também dá ferramentas para que os agentes de segurança combatam o tráfico de armas e ajudem a desarmar criminosos – e essas são medidas importantes e complementares para melhorar a segurança no Brasil.

As campanhas de desarmamento são cruciais, pois:

  • Permitem que armas sejam entregues a qualquer tempo, e sem que a identificação de quem entrega seja necessária;
  • Focar nas armas do “cidadão de bem” é importante, pois o mercado legal abastece o ilegal;

Mito 3: A maior parte dos homicídios vitima criminosos e acontece durante assaltos, em disputas entre traficantes de drogas ou em cobranças de dívidas.

Verdade: A ampla maioria dos homicídios acontece por motivos banais, e vitima pessoas que não têm antecedentes criminais. Brigas de bar, brigas de torcida de futebol, briga de casais, “dar um susto” ao tentar impor respeito em alguma situação são exemplos de desentendimentos corriqueiros que motivam a maior parte homicídios. Drogas, roubos, dívidas não motivam sequer 2 em cada 10 homicídios em SP. Na maior parte dos casos, os homicídios são cometidos com armas de fogo.

Portanto, a presença de uma arma de fogo transforma facilmente um desentendimento banal em uma tragédia fatal.

Mito 4O desarmamento viola um direito fundamental dos cidadãos.

Verdade: Na Constituição Federal do Brasil não consta direito de possuir e portar armas de fogo. Assim, quem quiser ter uma arma, terá que preencher os requisitos estabelecidos pelo do Estatuto do Desarmamento.

Mito 5: É um absurdo querer desarmar a população, mesmo depois do resultado do Referendo.

Verdade: O Referendo decidiu se o comércio de armas de fogo seria proibido ou não. O “Não” ganhou com 63,94% dos votos e o “Sim” ficou com 36,06% dos votos válidos. Respeitamos a vontade popular e a lei, e isso não tem absolutamente nada a ver com a campanha pelo desarmamento.

O Estatuto do Desarmamento regula as armas de fogo no país e, entre outras medidas, proibiu o porte de armas para civis, estabeleceu requisitos mínimos para a compra de armas, estabeleceu controle maior sobre a venda de munições para civis, etc. Ele traz ferramentas para que as forças de segurança possam atuar melhor com relação às armas ilegais, e promove o desarmamento voluntário da população. Isso é uma coisa. Que armas possam ser comercializadas no país é outra!

Mito 6: Piscina, fogo, carro e faca também matam. Se o objetivo é proibir o que causa morte, por quê proibir só as armas de fogo?

Verdade: É verdade que mortes ocorrem por afogamento, queimadura, acidentes de trânsito. Entretanto, são relativamente poucas as vezes em que se morre ou se fere gravemente ao se pular em uma piscina, acender um isqueiro, entrar em um carro ou usar uma faca. O mesmo não pode ser dito quando se usa uma arma de fogo. Portanto, o perigo e a intenção de se causar estragos estão no centro do argumento contra esse mito.

Se há uma arma de fogo envolvida, a letalidade de uma ocorrência é muito maior.

Mito 7: O principal problema a ser enfrentado quando se fala de armas de fogo é o tráfico nas fronteiras. Controlar as armas dentro do país é perda de tempo.

Verdade: As fronteiras realmente apresentam grandes problemas, e precisam ser controladas rigorosamente.

Entretanto, as armas que mais matam no Brasil são nacionais. No estado de São Paulo, por exemplo, Taurus (54,9%) e Rossi (12,8%) são as marcas mais frequentes das armas apreendidas. Por isso, é imprescindível que ações voltadas para o controle das armas em circulação no Brasil tenham como foco a fiscalização do cumprimento da lei pela indústria brasileira de armas e munições, bem como a fiscalização rigorosa de categorias vulneráveis ao desvio de armas e munições – como os colecionadores e as empresas de segurança privada.

Mais Informações:

Livro: Armas de fogo: risco ou proteção? (autores: Josephine BOURGOIS e AntonioRangel BANDEIRA)

 

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9 Comentários

  1. 7 de abril de 2011 às 15:16

    Apoio emtudo o que foi dito, precisamos de leis mas severas e rigídas sobre esse importante assunto.

  2. Vanessa Cortes said,

    7 de abril de 2011 às 15:35

    É importante trágico com este levantar estas questões para que a sociedade repense algumas decisões dadas como consenso. Para que uma tragédia não vire um fato violento histórico!

  3. timilique said,

    7 de abril de 2011 às 23:47

    Oi, Fabito. Em meio a perplexidade vivida hoje, ficam tantas perguntas sem respostas….Mas as que temos, precisamos praticar!
    Essa reflexão preciosa ajuda a discernir com mais clareza os sofismas repetidos pela midia. É urgente que nos aprumemos em um posicionamento firme com relação à vida; inegociável com relação à violência.
    Abraço grande.

  4. Renata said,

    22 de maio de 2011 às 3:48

    Oi!
    Totalmente de acordo.
    Linkei seu texto no meu blog.
    Veja: http://pautaampliada.blogspot.com/2011/05/armas-para-quem-precisa.html

  5. Jota said,

    30 de maio de 2011 às 22:28

    Prezado amigo,
    É notório que o Sr é contra as armas de fogo, mas armas não matam, quem mata são as pessoas, e se não matarem com armas de fogo, irão matar com facas ou outras coisas.

    Enfim, sou um pacifista em um mundo de violencia e guerras, afinal quem são os “homens da lei” ou os “legais agentes publicos” que irão portar armas e nos defender.

    Amigo, nosso país é corrupto, e colocar nossa segurança na mão de um governo corrupto e vulgar é no mínimo, assinar atestado em branco sobre nosso destino.

    Se na escola que o “maluco” matou várias crianças a pouco tempo tivesse um segurança ARMADO, possivelmente metade delas ainda estariam vivas.

    Em uma democracia, o cidadão tem o direito sim de ter e portar sua arma de fogo, do modo que lhe convier, e também arcar com o onus de seus atos.

    Quando um governo desarma o cidadão arma o bandido, pois não existem matematicamente possibilidade de colcar policiais em cada esquina cuidando de uma cidade imaginária.

    Enfim, a agressividade é nata do ser humano, que mata pelos mais torpes motivos, muito diferente dos animais que matam para comer, e a violencia jamais ira acabar ou diminuir pelo fato de desarmar um civil.

    Quanto ao fator proteção, cuidados em casa e acidente, concordo com vc pois as pessoas não sabem a diferença de filme e realidade e muito menos sabem o real poder da arma que tem, não frequentam escolas de tiro e não praticam, dai o perigo.

    Já perdi 3 amigos, um em um assalto, um outro era policial e foi morto em uma troca de tiros sob “fogo amigo”, e um em uma briga de rua, então eu realmente sei o que as armas de fogo fazem na vida real.

    Devemos banir a violencia interior de nos mesmos antes de deixar um “Estado” banir uma simples arma de fogo, e devemos lutar pelos nossos direitos democráticos de Brasileiros.

    Abraços

    Jota

  6. Jota said,

    30 de maio de 2011 às 23:40

    Completando minha mensagem anterior.

    Hoje eu não andaria armado de modo algum por opção não por imposição legal de um Estado sem a capacidade de proporcionar nada a não ser impostos e serviços publicos de péssima qualidade, principamente no que se trata de segurança publica.

    Existe o “mito” da segurança de quem tem uma arma de fogo ou quem a porta que mereçe muito mais leitura e estudo principamente nas escolas e dos efeitos que ela proporciona não somente no aspecto de dano ou dolo mas também no aspecto juridico de quem eventualmente “se der bem” em uma troca de tiros.

    Inquérios policiais, julgamentos, sem contar o fator psicológico de quem acredita na vida e na paz que trará ao autor traumas profundos e nem sempre reparáveis.

    Infelizmente a geração de cinema tipo Rambo, ou os Games tipo Counter Strike transmitem a falsa ilusão da “brincadeira da morte”, mas so se morre uma vez e não existe novo “game” se formos vitimas de um disparo fatal do opanente.

    A violencia não começa no disparo de uma arma de fogo, começa em casa, nas escolas, nas ruas e nos amigos.
    Aonde a famila e o Estado não estão presentes sem sombra de duvida proliferará algo de duvidável no ser Humano.

    Abraços e parabéns pelo seu Blog.

    Jota.

  7. Ageu said,

    14 de julho de 2011 às 12:22

    “Não me pergunte o que seu país pode fazer por você. Me diga o que você pode fazer pelo seu país.” ( John F. Kennedy)

    Não são leis que criam uma sociedade melhor e mais segura, e sim o comportamento de cada pessoa em relação as outras.
    Todos nós temos medo daquilo que não podemos controlar, e o que temos visto e ouvido hoje, de como estamos inseguros, têm feito pessoas boas perderem a razão e passarem a confiar em medidas violentas para garantir o seu futuro.
    Uma criança com uma arma na mão, não é nada mais do que o reflexo de uma sociedade que aprendeu a confiar na violência como solução de seus problemas.
    Sempre encontraremos em nossas vidas pessoas que vão nos desrespeitar ou nos ofender, mas deixar que estas pessoas nos tornem como elas é abraçar a morte.
    O segredo de ser feliz é saber que a sua vida está nas mãos de alguém que é muito mais poderoso e que cuida de você, e esse alguém não é o Brasil. é Jesus.

  8. João Herres said,

    20 de setembro de 2012 às 19:25

    Tu não entende nada e é um mentiroso distorcedor de fatos!

  9. Luiz Anderson Filho said,

    20 de setembro de 2012 às 19:29

    Te informe melhor sobre armas meu amigo! Leia o livro O DIREITO DE TER E PORTAR ARMAS do períto Henrique A. Nogueira que se esgotou em seis meses após o lançamento e tu vais mudar de opinião. O pouco que li aí, já vi que tu desconhece totalmente o assunto. Não de opinião sobre o que tu não entende. E tem mais: se tu não gosta de armas e tem medo delas, não as tenha, mas não tente convencer os outros a não ter! Isso se chama democracia! Ou tu é destes que nasceu com o dom de “saber o que é melhor para os outros”??


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