Recomeço – Marina Silva

Pouco antes de ter oficializada a minha candidatura à Presidência da República, em junho de 2010, encerrei minha participação como colunista deste jornal. Despedi-me apontando para a extraordinária força política da sociedade e insistindo na urgência de nos mobilizarmos para mudar os rumos do país.
Não falava de forma genérica, mas, sim, da prioridade de começarmos a sair daquilo que a muitos parece ser um destino patrimonialista inexorável, em direção ao aperfeiçoamento da democracia, com prevalência de valores coletivos e do interesse público.
Reiterei a certeza de que somente a militância civilizatória da própria sociedade poderá nos levar a outro patamar de desenvolvimento. Por coincidência, retorno logo após outra grande decisão: minha desfiliação partidária. Agradeço à Folha a nova oportunidade de compartilhar com seus leitores esse momento de intensa reflexão sobre como seguir contribuindo para ampliar a causa da sustentabilidade.
Ao deixar a vida partidária, não rompi com a compreensão de que as instituições públicas -entre as quais os partidos- só poderão ser consideradas como tal se forem abertas à participação de todos. Nelas, afirma-se a existência ou não da democracia.
No debate e no confronto de ideias, na ação dos diferentes atores políticos, as instituições públicas constituem o instrumento que garante o cumprimento dos preceitos constitucionais e dos direitos fundamentais.
O Estado democrático contemporâneo é uma obra de engenharia política a todo momento confrontada com desafios que o obrigam a se reinventar, mas um fator nunca muda: os governos e quaisquer instâncias representativas precisam ser legitimados pela sociedade, ainda que as autoridades sejam ungidas, pela lei, com responsabilidades e prerrogativas de poder.
Isso só funciona se as autoridades não esquecerem qual é a fonte real do seu poder.
Nem sempre é compreendido que a necessidade de respostas, a ação e a reação são direitos da sociedade, e quando eles não são exercidos, quem perde é a democracia.
É preciso que o cidadão tome nas mãos o que é seu e faça valer sua vontade, inclusive a de mudar o sistema político. É como um circuito elétrico, que só terá valia se houver energia a circular nele.
Sem interação com a sociedade, as instituições públicas tornam-se arcaicas, mera soma dos interesses privados de muitos matizes, diminuídas e empobrecidas pelo clientelismo de tempos imemoriais.
O mundo de múltiplas crises em que vivemos é o mesmo que nos possibilita múltiplas respostas. A questão é como ajudar a constituir e a viabilizar um novo idioma político, que nos auxiliará a resolver a estagnação civilizatória a que estamos submetidos.
MARINA SILVA, ex-senadora pelo Acre, passa a escrever neste espaço (Jornal Folha de São Paulo) às sextas-feiras.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo, edição de sexta, 15/07/2011, grifos meu.

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4 Comentários

  1. Edson said,

    18 de julho de 2011 às 11:54

    Parabéns Fabio pelo artigo, precisamos lutar para que essa consciência se faça presente e viva, para que com muita luta poderemos mudar esse estado de coisas.

  2. 18 de julho de 2011 às 13:23

    Muito genérico, não? O que Marina quis dizer, afinal? Está cada vez mais parecida com Obama, cujos discursos são muito elogiados, mas, ao serem lidos com atenção, revelam não ter conteúdo nenhum… 😦

    • Elias Carlos Lopes said,

      18 de julho de 2011 às 15:29

      Marina Exemplo de politica que incomoda bastante interesses impuros dos politicos que inojam os Brasileiros. Ninguem “chuta cacorra morta”. Nãoé Marina mas sim seus ideais que preocupam aos grupos politicos que revezam-se no poder ha decadas, com roupagens bonitas mas com os mesmos pensamentos ultrapassados e pouco etcos.
      O Brasil precisa de Marina, não para atarpalhar os interesses destes grupos, mas para mostrar que o nosso País ainda tem jeito…
      Todos Nosso apoio companheira de lutas!!!
      Elias Carlos Lopes
      Ex- Presidente PV-Timoteo-MG

  3. ROBSON said,

    1 de agosto de 2011 às 15:19

    Também não vejo na figura da Marina, uma opção clara e eficaz para a ruptura desse Sistema predador que corrói as Instituições como um câncer incurável.
    A meu juízo, o Ex-Partido dela durante muito tempo fez parte dessa Política Neo-liberal juntamente com os oito anos de Poder pelos Tucanos.


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