Há quase 2 meses em greve, professores RJ recebem proposta de 3,5% de reajuste e corte dos pontos

Após quase dois meses de greve, os professores do estado do Rio de Janeiro terão um reajuste de 3,5% a partir de setembro – valor distante dos 26% que a classe reivindicava. A medida é uma das que foram apresentadas pelo secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, que afirmou ainda que a partir desta segunda-feira (1º) quem permanecer em greve será descontado no salário. “Quem faltar, terá seu ponto cortado. E temos ações para substituí-los”, disse ele.


‘É um deboche’, dizem professores

Mais de 40 barracas seguem montadas na Rua da Ajuda nesta segunda-feira (1º). O grupo, que segue no local há vinte dias, classificou como “deboche” o reajuste apresentado pelo governo.

“Acho muito legal ele (secretário) ter se mexido e dado um passo, mas isso é um deboche”, definiu Roberto Simões, professor de educação física do Colégio estadual João Alfredo, em Vila Isabel, na Zona Norte da cidade. Com 27 anos na escola, o salário atual dele é de R$ 1.204,78. Alunos também protestam no local.

Segundo a categoria, a greve vai continuar apesar do anúncio do corte do ponto. “A gente não pode andar pra trás, vamos continuar a greve”, disse a professora de matemática Fabiana Gonzaga, acrescentando que a escola João Alfredo está sem água.

Ao saber do reajuste de 3,5%, a diretora do Sepe-RJ, Maria Oliveira da Penha, professora aposentada, fez duras críticas ao secretário. “Ele não cumpriu uma promessa feita. Com esse reajuste, vai continuar o acampamento até 2014, pode ter certeza”.

Greve há quase 2 meses

A categoria paralisou as atividades em sala de aula no dia 7 de junho. O ápice da greve foi no dia 12 de julho, quando um grupo invadiu o prédio da Secretaria de Educação, no Centro da cidade. O tumulto foi contido pelo Batalhão de Choque, que chegou a jogar gás de pimenta para dispersar a multidão.

Do lado de fora do prédio, um grupo decidiu, em protesto, ficar acampado até ser recebido pelo secretário de Educação.

No dia 15 de julho, após uma assembleia do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe), os professores decidiram continuar a greve na rede estadual de ensino do Rio.

Fonte: http://psol50.org.br

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6 Comentários

  1. ROBSON said,

    2 de agosto de 2011 às 11:03

    Considero esses 3,5% muito mais que um deboche, um crime contra a dignidade de um professor!
    É impressionante a volúpia da classe política, quando diz respeito ao aumento dos salários do Parlamento e do Executivo, em todas as esferas, mas quando se trata de melhorar as condições de trabalho, de salário digno dos Educadores é esse dascaso total.
    Sempre digo e reafirmo, que nós enquanto cidadãos e eleitores deixamos muito a desjar.

    • 2 de agosto de 2011 às 23:37

      Não seja radical, Robson! 3,5% significa R$ 26,00 (vinte e seis reais). Isso é um baita aumento, do tamanho da estatura moral do governador!

  2. JULIO said,

    4 de agosto de 2011 às 10:03

    Sei que serei apedrejado aqui, mas… Sou professor de matemática do estado a 8 anos. Sou ciente de que o salário é uma droga e que temos que lutar, no entanto, esta greve na minha opinião está errada e mau conduzida. Numa das escolas que trabalho, por conta de uma única professora em greve, estamos perdendo os alunos e com isso EU vou perder minhas turmas e terei que buscar colégios longe e que não tem vagas. Se a greve, ao não abarcar TODOS prejudica uma parte da categoria prefiro que não tenha greve. Acho que em alguns casos a atitude dos grevistas é totalmente egoísta, mesmo que exercendo seus direitos constitucionais. Os grevistas estão prejudicando os “não grevistas” e o preço a pagar será bastante alto para mim e para outros professores. Temos que lutar, mas, temos que ter consciência que nosso salário nos últimos 20 anos é uma M. Ninguém que tenha passado em concurso nos últimos 10 anos, ao abrir o “jornal dos concursos” e pagar a taxa no banco, viu algum valor maior que 500 reais. Assim, sou solidário com a greve, mas, na medida em que os “meus colegas” vão prejudicar minha vida, da mesma maneira “egoísta”, pois, se eles não pensam em mim eu também não posso pensar neles, fico contra eles.

    • Carla said,

      4 de agosto de 2011 às 20:28

      júlio, é por causa de professores como você, que não apoiam a categoria, que o nosso salário é essa M. como você mesmo disse, e é tão difícil conseguir qualquer coisa. Se TODOS os professores aderissem a greve, ela seria muito mais curta e muito mais eficiente.

  3. JULIO said,

    4 de agosto de 2011 às 10:08

    Duvido que os professores em greve (que tem muitos filhos em escolas particulares) iriam aceitar que seus filhos ficassem em casa sem aulas no ano de prestar vestibular. Os “diretores” do SEPE tem filhos no PH.

  4. ROBSON said,

    5 de agosto de 2011 às 9:43

    Professor Júlio, me desculpe, mas que está se comportando com egoísmo e individualidade é o Senhor, a meu juízo.
    Só pra te informar, quem vos fala não é nenhum professor, mas alguém que tem por essa categoria, um respeito tão grande que jamais vou aceitar esse achincalhe e tamanho descaso com essa profissão que deveria ser, na minha opinião, a mais bem remunerada entre todas as profissões!
    Sinceramente, Professor, não vejo outra alternativa senão a greve, legítima, justa e pacífica, mas ao mesmo tempo enérgica, do ponto de vista da valorização dos profissionais da Educação.
    Acho que as pessoas não deveriam agir com individualidade e se unir integralmente para alcançar os objetivos, embora lamente profundamente o fato dos alunos ficarem sem aulas, mas não vejo outra saída, a não ser levar até as últimas consequências o movimento em busca da merecida valorização da classe.


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