Qual circo você vai bancar?

Circo Baixada pode fechar por falta de patrocínio. Sabe o valor do projeto que há 10 anos ensina arte e cidadania a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade? 20 mil reais. Sabe quanto os vereadores de Duque de Caxias gastaram para alugar carros em 2011? Quase 800 mil reais. Ou seja, dava pra construir, só em Caxias, 40 (isso mesmo, quarenta!) polos desse Circo Social que resgataria muitas vidas de adolescentes em situação de rua/violência/marginalidade. Não é hora da gente se envolver mais com as questões políticas de nossa cidade para dar outro rumo nessa história? Ou vamos aceitar, passivamente, que uma cidade rica continue com povo pobre e sem recursos sociais básicos? É uma questão de escolha que não existe margem pra neutralidade. E cada escolha é uma semente que plantamos e vamos colher seus frutos…

Fabio Pereira

 

O que é o Circo Baixada?

 

O Circo Baixada é uma estratégia lúdico-pedagógica que contribui para reverter a situação de rua e a prevenção e erradicação do trabalho de crianças e adolescentes no Município de Queimados. Durante os 06 anos de existência, mais de 1550 crianças, adolescentes e suas famílias participaram do projeto, em uma lona de circo (atividades circenses, teatro, dança, canto, artes plásticas).

Circo Social Baixada participa de campanha contra o crack

A escuta, o cuidado e o trabalho em equipe e as atividades de arte-educação são trampolins para a integração familiar e comunitária e participação social destes jovens cidadãos.

Fonte: http://www.circobaixada.org

 

Circo Baixada pode fechar por falta de patrocínio

Alunos do projeto aprendem a fazer malabarismo, entre outras coisas. Foto: Thiago Lontra/Extra

Eletícia Quintão, Jornal Extra

 

O Circo Social Baixada, projeto que há 10 anos ensina arte e cidadania a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, está prestes a terminar por falta de financiamento.

A lona, erguida em 2002 na Vila Camorim, em Queimados, ajudou a transformar a região. Estima-se que em dez anos, cerca de cinco mil pessoas tenham sido beneficiadas pelo projeto, concebido pela fundação suíça “Terre des hommes”, de apoio à infância e adolescência.

O programa oferecia todas as atividades de circo, além de percussão, teatro, artes plásticas, dança e cuidado com o meio ambiente a cerca de 200 crianças, mensalmente. Agora, restaram apenas o ensino das atividades de circo nas escolas chamado “Espaço que protege” e uma trupe com 15 adolescentes, que se apresentará no próximo dia 19 no teatro Raul Cortez, em Duque de Caxias com o espetáculo: “Brasil, a cara do mundo”.

A coordenadora do projeto, Nilcelene Moreira, de 43 anos, afirma que o projeto de arte-educação, criado pela fundação, foi elaborado para durar dez anos. O repasse seria reduzido gradualmente e as atividades, assumidas pelo poder público, mas não foi o que aconteceu.

superação no picadeiro

Foi no picadeiro que muitos amenizaram as dores da violência e de relações familiares frágeis. Leandro da Conceição, por exemplo, corre atrás do tempo perdido. Aos 18 anos, ele acabou de ingressar no 6º ano do Ensino Fundamental:

— O circo mudou minha vida. Poderia ser um traficante. O que vou fazer $o circo acabar? Não me imagino longe do picadeiro — lamenta ele.

Especialista em acrobacias de solo, Wanderson da Silva, de 18 anos, virou arte-educador no projeto, onde faz de tudo um pouco:

— Tinha dificuldade em conviver com as pessoas. Tinha complexo de inferioridade. No circo venci os meus piores medos e traumas.

Burocracia já dura um ano

Foi no circo que Aniele Marinho, de 24 anos, percebeu que a vida estava lhe dando uma segunda chance. O lugar era, literalmente, o trampolim que a levaria a um novo patamar.

Aniele foi morar na rua com a mãe, quando tinha apenas 5 anos. Aprendeu a pedir dinheiro e a vender balas para sobreviver.

Aos 16 anos, já era viciada em drogas e no projeto aprendeu que a vida pode oferecer muito mais:

— Pela primeira vez, me percebi fazendo parte de um todo — comenta ela, que concluiu os estudos e se tornou educadora social. Ela quer se tornar juíza da Vara da Infância.

Já Andreza Monteiro, de 17 anos, adora viver nas alturas. É com as pernas de pau que se realiza.

— Eu adoro me sentir grande —diz ela.

A coordenadora do Circo Social, Nilcelene Moreira, de 43 anos, diz que eles precisariam de R$ 16 a R$ 20 mil por mês:

— Existe o desejo da prefeitura em assumir o projeto. Mas, desde maio de 2010 que nada ultrapassa o nível do diálogo.

Em nota, a Prefeitura de Queimados informou que o processo está em andamento e precisará passar por licitação. A prefeitura não informou os valores que serão destinados ao Circo.

 

Fonte: http://extra.globo.com/noticias/rio/baixada-fluminense/circo-baixada-pode-fechar-por-falta-de-patrocinio-4508216.html

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1 Comentário

  1. FERNANDO said,

    13 de abril de 2012 às 19:05

    Belo trabalho..Pena que enfrente dificuldades. Pena maior que espere da prefeitura de Queimados alguma ajuda. Os atuais gestores dessa cidade são o que há de pior na política fluminense. Gente ligada a Picciane e com ‘um pé” naquele escandalo antigo da “Jorgina da Previdência” lembram? recentemente um belo trabalho de história da cidade foi abortado por falta de pagamento. Demoraram um ano para pagar a ONG que foi contratada para realizar um curso, por sinal excelente, do qual participei. Um ano!!!! O grupo não aguentou e abandonou o projeto que previa pesquisas e publicações.
    O povo de Queimados tá no maior sofrimento. Até porque a “opção” é o tal do “não sei o que do Salão”. Espero que os atuais gestores do projeto encontrem uma solução para o drama da sobrevivência. Pois esse ‘papinho” furado da prefeitura de ajudar a bancar o projeto é só papinho mesmo Abraços


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