Gustavo Lima e você, por Lucas Lujan

Divulgação

 

O Brasil é a sexta maior economia do mundo. Nós ultrapassamos o Reino Unido. Nosso PIB é de US$ 2,48 trilhões, enquanto o do Reino Unido é de US$ 2, 26 trilhões.

Algumas pessoas receberam essa notícia, no fim de 2011, com entusiasmo. Quando o banco alemão WestLB noticiou o ranking das maiores economias do mundo, muitos brasileiros abriram sorriso de orelha a orelha. Contudo, eu não. Recebi a notícia com desconfiança e lamento.

Na minha opinião, Weber acertou quando teorizou sobre a autonomia das esferas da realidade. Economia e política são esferas distintas e autônomas, e aqui está a razão do meu lamento. Enquanto a esfera econômica brasileira ascende, a política se desgasta e degrada sistematicamente.

O Brasil tem uma das piores distribuições de renda do mundo. Para mostrar a gravidade em detalhes, alguns dados: segundo o mais recente relatório sobre Desenvolvimento Humano divulgado pela ONU, o Brasil é o décimo pior entre os cento e vinte e seis países considerados para a realização do relatório. Nós temos a terceira pior distribuição de rendas da região latino americana e caribenha. Piores que nós, apenas a Bolívia e o Haiti.

É de corar as bochechas de qualquer pessoa de bom senso, afinal, estamos falando da sexta maior economia do mundo!

Distribuição de renda é problema político. De que adianta uma economia em ascensão e uma política desse nível? Poderia escrever sobre vários outros problemas políticos do Brasil, mas não considero necessário para o meu argumento, uma vez que a má distribuição de renda está intimamente ligada com a pobreza e a fome – e não há problemas políticos mais relevantes.

O Brasil atual enriquece, mas apenas o bolso dos que já eram ricos. A distribuição de renda brasileira é a denúncia de que o pobre continua pobre, quando não mais pobre do que era. O acesso das classes mais baixas à linhas de crédito, que permitem adesão de bens de consumo, é apenas uma cortina de fumaça para distrair a massa do real problema político brasileiro.

Mas essa cortina de fumaça não tem razões econômicas apenas. Há ainda outros que ajudam a mantê-la, para parecer que está tudo bem: Michel Teló, Gustavo Lima e tantos outros milhões de imbecis que cantam “me dá um tchu, me dá um tchá”. Nesse esquema idiota e idiotizante, tipo pão e circo, os brasileiros vão festejando sua própria miséria política e humana.

O que acontece com os brasileiros? O que aconteceu com aqueles que lutaram contra a ditadura militar? O que aconteceu com aqueles que lutaram pelo voto direto? Que tipo de apatia se abateu sobre esse povo que já derrubou sistemas políticos perversos? O Brasil tem um dos piores índices de corrupção política do mundo!

Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra a igreja, mas só disse isso porque não conhecia a igreja evangélica brasileira. Se conhecesse, teria hesitado. Os evangélicos seguem emudecidos diante da injustiça social que testemunham. Em terras tupiniquins as portas o inferno prevaleceram em forma de silêncio, descaso e insensibilidade contra a igreja que se diz de Jesus.

Os evangélicos confundem as coisas, acham que quando a Bíblia diz que Deus criou todas as coisas, era sobre o Cachoeira que ela estava falando! Essa leitura literal da Bíblia sempre atrapalhando tudo…

O Brasil é uma vergonha política. E o nosso povo dá de ombros para isso, inventando alguma nova coreografia ridícula que envolve bunda e rebolado… Nossa, nossa, assim você me mata. Nos mata.

Lidero, junto com mais alguns amigos, um pequeno grupo de jovens numa igreja evangélica chamada Betesda. Desde o começo do ano, os líderes desse grupo acharam relevante discutir política em nossas reuniões, pois além de ser ano eleitoral, é necessário dar início ao debate político entre jovens, ainda mais os que estão dentro de uma igreja. A ideia ganhou o nome de Política JB (Jovens Betesda). Reservamos um sábado por mês para esse programa. Desejávamos que o debate inflamasse o grupo e o colocasse em movimento político de engajamento social… Mas não aconteceu. Dos sessenta jovens que frequentam normalmente nossas reuniões semanais, menos de trinta aparecem no Politica JB, provavelmente por considerarem irrelevante discutir política, ainda mais dentro da igreja. O que é isso, senão um retrato fiel da mentalidade política brasileira?

Na América Latina, nosso país só ganha da Bolívia e do Haiti em justa distribuição de renda, e tem uma cambada de brasileiros descerebrados que acham que política não é importante!

Minha indignação é tanta, que já tive vontade de desistir algumas vezes. Mas graças aos meus bons amigos politizados continuo – alguns dentro do grupo de jovens que lidero, organizando doações de sangue; outros fora da igreja, lutando por movimentos de reforma política. Eles ainda me inflamam e me colocam em movimento.

Existe uma expectativa que até 2015 o Brasil se torne a quinta maior economia do mundo, ultrapassando a França – onde crianças de pais ricos e pobres frequentam as mesmas escolas, enquanto no Brasil, a educação pública está entre as piores do mundo…

Intitulei o texto de “Gustavo Lima e você” para que as pessoas lessem. Se eu colocasse algo como “política e economia no cenário brasileiro” meu e-mail iria direto para a lixeira da maioria. Desculpe se não é o seu caso, não quis te nivelar por baixo… Foi uma atitude desesperada.

Lucas Lujan – @lucaslujan

Anúncios

2 Comentários

  1. Filipo Tardim said,

    3 de maio de 2012 às 12:26

    Não entrando na polêmica de Mateus 16, pois sendo católico tenho divergência, o texto é genial e consegue sintetizar com muita clareza a análise da conjuntura atual.
    Eu estava mesmo refletindo sobre isso quando vi as reportagens sobre o Primeiro de Maio no Brasil e no “mundo” (Europa). Enquanto lá aconteceram vários protestos contra as políticas de austeridade, aqui no Brasil se comemorou mais um feriado (não importa de que) com shows gospel e samba. Ou aqui está tudo mesmo uma maravilha, não há política de austeridade (o governo investe como deveria em todos os setores) nem desemprego, ou realmente há algo por trás dessa felicidade toda. Como postei no Twitter: a Globo agora só quer promover evento gospel. É o minimo estranho…

  2. 3 de maio de 2012 às 12:54

    Prezado, concordo com a análise e também me entristeço com a situação. A omissão também é um pecado. Não só os evangélicos, mas entendo que a todos a falta de educação e digo educação de qualidade e não essa que de maneira deprimente tem sido oferecida em nosso país é uma das condições ao quadro narrado e constatado pelo irmão.
    Devemos orar com certeza, porém agir de fato, para que a glória de Deus se manifeste também através de justiça e atos pelos seus servos. Ministério implica em prática e mudança, se o cristão não agir se torna cúmplice do erro e, portanto, peca.
    No que tange a citada falta de onisciência de nosso Deus em relação à igreja brasileira discordo, o Senhor não só a conhecia como possui pleno controle sobre ela e toda a história, nosso Deus é Senhor também desta, lembremos que a Israel também concedeu uma igreja omissa e corrupta que culminou com a vinda de nosso Cristo, a igreja no século XVI de onde herdamos nossa confissão de fé reformada, a igreja inglesa no século XVIII e XIX de onde verteu um dos maiores avivamentos, que por sinal propiciou dimensões políticas e sociais transformando grande parte da Europa rendendo frutos a obras missionárias nos Estados Unidos e mesmo no Brasil.
    O nosso pecado de omissão e falta de fervor, não pode ser atribuído ao Nosso Deus, somos culpados sim, pois temos sido omisso em nosso dever de uma igreja fervorosa e militante. Devemos não só proclamar, mas também propagar o reino de nosso Deus, enquanto assim não o fizermos seremos dignos de uma nação nas condições supracitadas pelo irmão e de uma igreja sem força e com pequenas evidências do poder de Deus.
    Quanto à interpretação literal, apresentada pelo exemplo do “Cachoeira”, entendo que sim, da mesma forma como o nosso Deus institui e nomeou Nabucodonosor como “… meu servo” para braço de punição a Israel e Ciro como braço de restituição a este, também entendo que Deus apropria-se mesmo do ímpio para julgar e “educar” o seu povo quanto para soerguê-lo em glória.
    Mas, também entendo que esse post e ações como a organizada pelo querido irmão, devem ser divulgadas e estimuladas em nossas igrejas, em nossas reuniões de orações e tratadas em nossas visitas pastorais. O evangelho é “dinamus”, e deve produzir transformação de vida espiritual e social. A Palavra fala de não conformidade com este século, empregar textos como este unicamente ao indivíduo, isso sim torna errônea e pequena a grandiosidade da Palavra de Nosso Deus. Enquanto nossas vidas não forem “plenamente” transformadas pelo Espírito Santo, continuaremos a olhar para a iniqüidade de forma omissa e cômoda e Deus nos cobrará firmemente por esta omissão com líderes corruptos e com uma igreja fraca e inexpressiva.
    Rogo ao Senhor que tenha misericórdia de nós e nos conceda porção dobrada do seu Espírito, para que por meio de uma igreja avivada e fiel, este país possa ser verdadeiramente transformado e que a sua justiça se manifeste sobre toda a nação. Amém.

    Alexsandro Sant’Anna


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: