Os evangélicos progressistas

Seguidores da Bíblia, eles se opõem à violência contra homossexuais, defendem a igualdade entre homens e mulheres e enfrentam preconceito dentro e fora da comunidade religiosa

Alessandra Oggioni , especial para o iG São Paulo | 23/05/2013 05:00:59

Eles são evangélicos, frequentam os cultos, leem a Bíblia e lutam para defender suas opiniões pessoais – mesmo que elas destoem do que pensa a maioria de seus irmãos em fé. Patrick, Morgana e Elias são considerados evangélicos progressistas, que se declaram contra a violência aos homossexuais, pregam a igualdade de direitos entre homens e mulheres e adotam uma postura mais questionadora sobre temas polêmicos, não sem enfrentar preconceitos dentro e fora do grupo ao qual pertencem. “Infelizmente, a sociedade vê o evangélico como conservador, limitado intelectualmente e manipulável. Mas esta não é uma imagem totalmente verdadeira”, afirma o comentarista esportivo Elias Aredes Junior, evangélico praticante.

Edu Cesar

Patrick, da Aliança Bíblica: “Para mim, ser progressista é não ter uma relação de submissão incondicional com a figura do pastor ou do líder religioso”

 

A comunidade evangélica no Brasil conta com mais de 42 milhões de pessoas, de acordo com dados do IBGE. O crescimento do número de fiéis é expressivo – eram 15,4% da população no ano 2000 e chegaram a 22,2%, em 2010.

Embora estejam todos “enquadrados” no mesmo grupo, há denominações bastante distintas. Os ensinamentos são diferentes em uma igreja da corrente histórica, como a Batista ou a Metodista, em comparação a uma pentecostal, à qual pertence a Assembleia de Deus, por exemplo, ou a uma neopentecostal, como a Igreja Universal do Reino de Deus.

Com doutrinas tão diferentes, alguns evangélicos buscam comunidades mais abertas a questionamentos e também participam de movimentos progressistas, para defender interpretações e pontos de vista nem sempre aceitos nos cultos. Conheça a história de três jovens cristãos que se incluem neste grupo.

Edu Cesar

Para Patrick, a polarização “evangélicos versus gays” precisa ser superada

Abaixo a submissão incondicional

Formado em ciências sociais, Patrick Timmer, 27 anos, trabalha como secretário-geral na Aliança Bíblica Universitária do Brasil, em São Paulo. De família evangélica, é membro da igreja Comunidade de Jesus, e se considera um “progressista”. “O termo progressista pode significar muita coisa. Para mim, é não ter uma relação de submissão incondicional com a figura do pastor ou do líder religioso”, define.

 

Para Patrick, tudo o que é ouvido no culto precisa “passar pelo crivo das escrituras e ganhar uma interpretação coerente”. Ele acredita que todo evangélico deve ter uma postura crítica e saber buscar respaldo na própria Bíblia. “É preciso analisar o contexto, procurar literaturas de apoio, conversar com outras pessoas. O diálogo e o debate sempre ajudam na construção de uma democracia saudável”, afirma.

“A submissão para justificar a violência não tem base bíblica”

Ele explica que, em muitos casos, trechos da Bíblia são usados para justificar atos de opressão ou abuso, especialmente contra as mulheres. “Certas leituras podem levar a uma interpretação equivocada de superioridade de gênero. Mas a submissão para justificar a violência não tem base bíblica”, defende Patrick.

Sobre o homossexualismo, comumente alvo de críticas de líderes religiosos e dos políticos da bancada evangélica, Patrick diz que é preciso mudar esta polarização de “evangélicos versus gays”. Para ele, violência e intolerância são inaceitáveis, sejam por racismo, machismo, xenofobia ou homofobia.

Arquivo pessoal

Morgana é secretária-executiva da rede Fale, união de grupos evangélicos que promove a justiça social

A favor de um Estado laico

A missionária Morgana Boostel, 26 anos, também se considera uma evangélica progressista. Ela é secretária-executiva da Rede Fale, uma organização internacional ligada a várias congregações evangélicas, que atua em campanhas contra injustiças sociais. Em março deste ano, a Rede publicou uma carta aberta, assinada por 173 pastores e líderes evangélicos, se posicionando contra a permanência de Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM). Dezenas de comentários na própria página da rede rechaçaram a opinião dos pastores.

“Todos devem ter os direitos garantidos, independentemente da sua história ou trajetória familiar”, defende.

Evangélica desde criança, ela já frequentou a igreja Batista e hoje é membro da Comunidade Anglicana Neemias, na cidade de Vitória (ES). Morgana defende fervorosamente a liberdade de crença e se mostra contrária à intervenção da Igreja em ações do governo. “Estado laico não é a ausência de elementos de fé, mas a possibilidade de expressá-la da forma que cada um considere importante”.

“Estado laico não é a ausência de elementos de fé, mas a possibilidade de expressá-la da forma que cada um considere importante”

Para ela, assim como a opção religiosa, todas as escolhas devem ser respeitadas. Cada um é responsável por decidir o que achar melhor para a própria vida, até mesmo quando se trata de questões sexuais. “É inadimissível qualquer tipo de violência contra homossexuais. Isso inclui o preconceito, pois [o preconceito] incita a violência”.

 

Arquivo pessoal

Elias, comentarista esportivo, é ligado a movimentos progressistas desde a adolescência

Em defesa da diversidade

A igreja não consegue lidar com este cenário multifacetado. (…) Quem não estiver dentro de um modelo preestabelecido fica de fora”

O comentarista esportivo Elias Aredes Junior, 40 anos, sempre foi de família evangélica. Ainda adolescente, aprendeu com os tios a questionar os valores pregados nas igrejas que sempre frequentou. “Comecei a despertar para temas de justiça social e igualdade, o que me levou a participar ativamente de movimentos estudantis”, conta ele, que hoje também frequenta reuniões e encontros do Movimento Evangélico Progressista.

Elias, que faz parte de uma igreja na cidade de Campinas (SP), considera boa parte da comunidade evangélica bastante conservadora. “Muitas vezes, a igreja não consegue lidar com este cenário multifacetado. E isso não é bom porque não contempla a diversidade. Quem não estiver dentro de um modelo preestabelecido fica de fora”, diz.

Ele cita um exemplo que ouviu de um pastor em outra denominação religiosa, que frequentava anteriormente. Durante um culto, o líder disse que, ao ver uma passeata gay, teve vontade de jogar o carro contra a multidão. “Achei aquilo horrível. Posso não concordar com a conduta gay, mas o Estado tem a obrigação de assegurar-lhes todos os direitos, inclusive o de manifestação”, opina.

Para Elias, o problema de lidar com a diversidade vai além da questão gay, incluindo também as novas formações familiares. “Vi vários casos de preconceito contra mães solteiras. Então, quando uma mulher é solteira ou separada, ela não pode ser considerada família pela igreja?”, questiona.

Para mudar este cenário e promover a inclusão, Elias acredita que cabe aos próprios evangélicos lutar pelo que acreditam e “adotar” líderes e representantes que estejam mais de acordo com o perfil de cada um. “O pastor da igreja que frequento é aberto ao diálogo e respeita o que eu penso. Uma nobre e gratíssima exceção neste cinturão ditatorial existente na comunidade evangélica brasileira”, afirma.

Fonte: http://delas.ig.com.br/comportamento/2013-05-23/os-evangelicos-progressistas.html

Crianças e adultos haitianos lendo queixas cotidianas e pequenos aborrecimentos de cidadãos de países desenvolvidos postados no Twitter

Voar, com gaiola e tudo!

Que no ano próximo / No abraço máximo / Se ame o máximo / A cada próximo. [Wolô, via Fernando Oliveira]

Um 2012 com muita alegria, solidariedade, dignidade, justiça e paz! Deus nos abençoe e guarde.

Duque de Caxias: 68 anos de emancipação.

Hoje, 31 de dezembro, é o aniversário de nossa cidade, Duque de Caxias, que completa 68 anos de emancipação e com uma história que vai muito além desse período.

Emancipação, segundo o dicionário Aurélio, significa: 1. Eximir-se do pátrio poder ou da tutela. 2. Tornar-se independente, libertar-se

O meu desejo é que o sol da justiça brilhe sobre essa terra, onde a riqueza é mal dividida pelas suas sucessivas más administrações.

O meu desejo é que a qualidade de vida seja o principal indicador e norte para prefeitos, vereadores, funcionários públicos, educadores, estudantes e para a população como um todo.

O meu desejo é que nosso povo se torne cidadão, com maior participação na nossa política local. Não apenas com interesses pequenos e individualistas, mas com grandeza e nobreza de pensar no bem comum, de eleger pessoas comprometidas com a justiça, com as boas lutas do povo e fiscalizar o mandato dos eleitos. Que o analfabetismo político, pai de boa parte de nossas mazelas sociais, seja erradicado. Que nossa zona de conforto seja rompida pela esperança de gerir o novo. Pois, sem participação popular não haverá nenhuma das transformações acima descritas.

O meu desejo é que todos esses desejos, e muitos outros, sejam não apenas meu, mas, sobretudo, nosso desejo.

Vamos juntos tornar esses desejos realidade e que Deus nos abençoe. Um 2012 com muita alegria, solidariedade, dignidade, justiça e paz!

Fabio Pereira

Liberdade no capitalismo?

 

Mensagem do ator Wagner Moura aos senadores e ao povo brasileiro

Ambiental e seu lixo: zero de respeito ao meio ambiente!

Fui convidado por moradores, que me ligaram em desespero, a visitar o bairro Figueira, em Duque de Caxias. Mais precisamente nos arredores da empresa AMBIENTAL LIXO ZERO. O que vi, ouvi e senti foi aterrorizante, indigno: um mau cheiro insuportável, essa empresa é um deposito de lixo constante, com chorume no chão, trabalhadores sem equipamentos básicos, desrespeito aos moradores vizinhos que, após a instalação dessa empresa, têm sua saúde e bem estar violados pelo constante e terrível mau cheiro. Só para que o leitor tenha uma ideia, eu fiquei pouco menos de 3 (três) horas no entorno da empresa, ouvindo relatos desesperados dos vizinhos e sai dali com ardência nas vias nasais e dor de cabeça. Fico imaginando aquela população que é obrigada a suportar aquilo todos os dias, com esse martírio já durando anos. Infelizmente a prefeitura de Duque de Caxias, através da sua secretaria de meio ambiente, está omissa em relação ao caso, transferindo a responsabilidade para o Ministério Público, este, por sua vez, também prorroga o prazo de funcionamento daquele lixão que se chama empresa por sucessivas vezes.

Os moradores organizaram abaixo-assinado, tentaram diálogo com a empresa, buscaram a prefeitura, a Justiça e nada. Cabe agora, ampliarmos a denuncia para que toda Duque de Caxias saiba desse desrespeito ao meio ambiente e a saúde dos moradores da Figueira.

Fiz algumas fotos e vídeos do local e da mobilização. Peço, sensibilizado com o que vi e senti, que repassem essa notícia com toda força e meios que puderem. A dignidade e bem estar dessa gente já tão sofrida pela carência de serviços públicos básicos – como rua calçada, por exemplo – precisa ser amenizada com a interdição desse lixão travestido de empresa.

É hora da prefeitura e demais governos, tomar vergonha na cara e, além de impedir que aquela empresa funcione, trate aqueles moradores como cidadãos e restaure a dignidade violada pela quase total ausência de políticas públicas. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça! Quem tem coração para partilhar, que compartilhe!

 

Uma das diversas residências que divide muro com a empresa do mau cheiro.

Moscas, ratos e baratas se proliferam no entorno da empresa Ambiental Lixo Zero

Denuncia de proliferação de mosquitos e casos de dengue, inclusive com mortes

Autorização de funcionamento dada no governo anterior

O desrespeito da empresa com a comunidade e o meio ambiente. Com possui licença?

Prefeitura já deu auto de interdição e depois liberou a empresa para funcionar, sendo que esta não mudou nada. Perguntar o por que ofende?

Abaixo assinado dos moradores contra os desmandos dessa empresa na Figueira

Lixo de tudo quanto é tipo e chorume no pátio da empresa Ambiental Lixo Zero

Vídeos:

Veja em que condições as pessoas trabalham com lixo nessa empresa:

Deputado Marcelo Freixo, que inspirou personagem de Tropa de Elite 2, está em lista atribuída a assassinos da juíza Patrícia Acioli

 

Ivan Marsiglia, do Estadão, entrevista Marcelo Freixo

 

PROFESSOR DE HISTÓRIA, DEPUTADO ESTADUAL PELO PSOL, MARCELO FREIXO PRESIDIU A CPI DAS MILÍCIAS EM 2008

Na terça-feira, cinco dias após o brutal assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, uma informação assustadora foi transmitida ao deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Segundo relato feito ao Disque-Denúncia, a morte da juíza teria sido encomendada por três detentos do presídio Ary Franco e, na lista dos criminosos, estariam mais duas pessoas marcadas para morrer: outro juiz, da 4ª Vara Federal de Niterói, e o próprio Freixo.

“Receio dá, pois eles podem tirar minha vida, sim. E não tenho nenhum projeto de virar memória”, admite o niteroiense de 44 anos, casado, pai de dois filhos. Formado em história pela Universidade Federal Fluminense e ex-pesquisador da ONG Justiça Global, Freixo coordenou projetos educacionais em presídios e, em mais de uma ocasião, atuou como negociador durante rebeliões. Eleito com amplo apoio da classe artística e intelectual do Rio, presidiu em 2008 a CPI das Milícias, que investigou as conexões desses grupos com parlamentares e resultou na cassação do deputado Álvaro Lins. Desde então, vive escoltado por seguranças. Foi Freixo quem inspirou o cineasta José Padilha na construção do personagem Diogo Fraga, militante de direitos humanos e antagonista do Capitão Nascimento que depois se alia a ele no filme Tropa de Elite 2.

Nesta entrevista, que concedeu ao Aliás na saída da missa de sétimo dia da juíza Acioli, quarta-feira, o deputado dispara contra a política de segurança pública fluminense e federal. Considera a execução ocorrida no dia 11 “um divisor de águas” na ação do crime organizado, que até então via juízes, promotores e deputados “cadáveres caros demais”. Ensina que, diferentemente dos traficantes, os milicianos não constituem um Estado “paralelo”, mas “leiloado”: são máfias dotadas de projeto de poder, domínio de território e influência eleitoral, constituindo “uma instância do crime organizado muito superior”. E faz um alerta: se não houver resposta firme das autoridades, o crime contra a juíza será o primeiro de muitos.

 

Como se sentiu ao ver seu nome na lista de ameaçados em que constava a juíza Acioli?

Desde que presidi a CPI das Milícias recebo ameaças. A última foi no mês passado. Elas chegam por carta, pelo Disque-Denúncia, por presos que respeitam meu trabalho e dizem ter ouvido planos do tipo ou por interceptações telefônicas feitas pela polícia. Até que ponto vale expor a si próprio e a sua família com esse trabalho? (Pausa) Receio dá. Estou saindo muito abalado da missa de Patrícia. Pensei que ali, no lugar dos filhos dela, poderiam estar os meus. Claro que isso passa pela minha cabeça, mexe comigo. Se dissesse que não, estaria mentindo. A gente se sente vulnerável. Sei que não posso deixar de fazer o que faço, mas preciso tomar cuidado. Porque eles podem tirar minha vida, sim. E eu não tenho nenhum projeto de virar memória.

 

Conhecia a juíza Acioli pessoalmente?

Embora não fôssemos amigos, eu a conhecia por trabalharmos na mesma área. Tivemos mais contato na época da CPI. Em sua atuação como juíza ela enfrentou fundamentalmente as milícias e grupos de extermínio de São Gonçalo. E, quando a CPI terminou, mandei o relatório para ela e nos falamos por telefone. Eu a admirava muito. Patrícia não morreu por sua ousadia ou por sua coragem, mas pela covardia dos outros. Falta prioridade, projeto público para se combater o crime organizado no Brasil. Então a luta fica dependendo de alguns poucos deputados, promotores, juízes… que viram alvo fácil.

Por que o sr. declarou que ‘se a resposta não for rápida, o crime organizado vai atingir uma nova etapa’?

Porque o crime organizado rompeu uma barreira que ainda não havia rompido. É a primeira vez que isso acontece no Rio de Janeiro. Não tenho a menor dúvida de que os mandantes e os executores são pessoas incomodadas pelo trabalho de Patrícia como juíza. Não foi uma vingança pessoal, eles fizeram um atentado contra o poder público. Calaram a Justiça, não a Patrícia. E, se o crime organizado pagou para ver, o Estado tem que responder à altura. Senão, ela será a primeira de muitos. Desde a época em que presidi a CPI, ouço dizer que somos “cadáveres caros demais”, que eles não teriam coragem de nos matar porque a repercussão seria grande. Pois é, fizeram. E agora, qual vai ser a resposta?

Marcelo Freixo e seus seguranças - vida privada pela constante ameaça

É característica do crime organizado, de tempos em tempos, fazer uma ação assim, para servir de aviso, intimidar?

Eles só agiram assim porque tiveram facilidade. O Tribunal de Justiça facilitou ao não garantir a proteção que Patrícia queria.

 

O presidente do TJ-RJ, Manoel Alberto Rebêlo, insiste em que a juíza não pediu escolta.

 

Não é verdade, e tenho documentos que o comprovam. Patrícia em nenhum momento se negou a ter segurança. Acho um absurdo que, enquanto o País inteiro se escandaliza, no Rio setores do Tribunal de Justiça tentem desqualificar a vítima. Dizer que ela não tinha proteção porque mandou um ofício! É uma vergonha. Só falta dizer que ela se suicidou. Reiteradas vezes Patrícia pediu proteção e discordou da redução de sua segurança, decidida por eles. Aí vem o presidente do TJ e, no lugar de dizer “peço desculpas à família e à sociedade, pois o Tribunal errou”, põe a culpa nela. Era o mínimo de grandeza que se esperava do TJ. Tirou a segurança de uma juíza quando não podia ter tirado. Não deu autonomia para ela escolher seus seguranças, quando deveria ter dado. Eu ando com escolta. Desde quando não serei eu a escolher meus seguranças? Isso é um absurdo. O cara vai saber onde moro, quem é meu filho e eu não posso decidir quem será?

E a declaração do Flávio Bolsonaro (PP-RJ), filho do deputado federal Jair, de que a juíza ‘humilhava’ policiais nos julgamentos?

É curioso que o deputado não tenha essa opinião quando se trata de outros réus. É uma visão seletiva de garantia de direitos.

 

O governo do Rio chegou a recusar ajuda da Polícia Federal nas investigações e foi preciso que o presidente do STF, Cezar Peluso, interviesse junto ao Ministério da Justiça para a PF entrar no caso. Por quê?

Nada mais me espanta no governo do Rio de Janeiro. Eles já não conseguem me surpreender, pois o absurdo virou regra. Um assassinato com esse peso, que é um atentado contra a República, a Polícia Federal se coloca à disposição e o governo do Rio diz que não quer? Mas por que não? Se a recusa foi por vaidade, trata-se de um equívoco, uma tolice. Se não, é suspeito. Ou estão querendo dizer “vamos resolver sozinhos, estamos podendo, investigamos muito bem”, o que não é verdade, ou temem que apareçam coisas que não possam ser ditas. Felizmente, o STF e o Poder Judiciário como um todo entenderam o significado do que ocorreu. A morte da Patrícia é um divisor de águas.

O crime organizado pode constranger a magistratura no Brasil, como fez na Itália durante a Operação Mãos Limpas?

Já está constrangendo. Hoje mesmo conversei com um juiz cujo nome não posso revelar que também não tem proteção alguma. Está absolutamente preocupado. Quando terminou a CPI, definimos no relatório: milícia é máfia. Então, fui convidado pela Anistia Internacional a apresentar o relatório em outros países. No primeiro, a Alemanha, tive grande dificuldade em explicar. Vai dizer a um alemão que tem polícia envolvida, que eles dominam o transporte por vans e a distribuição de gás, que cometem extorsão e exploram até prostituição infantil… Já no último país da viagem, a Itália, eu mal começava a falar e eles já diziam: “Ah, sabemos como funciona. É igual aqui”. A milícia, como a máfia, envolve agentes públicos, domina território, empreende atividades econômicas, tem projeto de poder e age dentro do Estado. Ela não é um Estado paralelo, é um Estado leiloado.

 

É isso o que quer dizer quando fala em ‘crime organizado como projeto de poder’?

Sim. E é o que diferencia a milícia de todas as outras organizações criminosas que já tivemos no Rio. Todos os líderes dos grupos milicianos são agentes públicos da área da segurança. Eles também, invariavelmente, comandam os centros sociais nas comunidades. Então, passam a ter domínio eleitoral dessas áreas. Sempre elegeram gente e também mataram muita gente: a maior concentração de homicídios no Rio de Janeiro hoje ocorre nas áreas das milícias.

 

Marcelo Freixo e o capitão Renato Senna, comandante da UPP da Ladeira dos Tabajaras - Foto de Bruno Gonzalez/EXTRA

Para quem vive nas comunidades, qual é a diferença entre estar sob o jugo do traficante ou do miliciano?

A milícia é uma instância do crime organizado muito superior. Veja que só tivemos uma redução recente no número de homicídios no Rio porque houve certo enfraquecimento das milícias nos últimos três anos – depois que as autoridades foram obrigadas a agir pela mobilização da opinião pública após a CPI e o sequestro de uma equipe de jornalistas (em maio de 2008, um grupo de milicianos da favela do Batan, em Realengo, sequestrou uma repórter, um fotógrafo e um motorista do jornal O Dia que faziam uma reportagem no local e os torturou por duas semanas). Perto das milícias, os traficantes dos morros são só garotos violentos com armas na mão e nada na cabeça.

 

A melhoria das condições econômicas nas comunidades ajuda a explicar o crescimento das milícias?

Sim, porque máfias se instalam onde há dinheiro para ser coletado, não onde só há miséria. E se você olhar em 2007, antes da CPI, vai ver até o governador Sérgio Cabral inaugurando uma obra em Campo Grande ao lado de um vereador e um deputado que acabaram presos por envolvimento com a milícia (o deputado Natalino José Guimarães e seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho). Está no YouTube isso, é uma cena patética. Mas mostra como as autoridades viam as milícias como um mal menor. O ex-prefeito Cesar Maia chegou a chamá-las de “autodefesa comunitária”. O atual, Eduardo Paes, também as defendeu em uma entrevista na TV. O tráfico sempre se colocou à margem da lei e contra o Estado. A milícia está dentro do Estado. E no sistema eleitoral. O mapa de votação do ex-secretário de segurança do Rio (o deputado federal pelo PSDB-RJ) Marcelo Itagiba concentra-se nas áreas de milícia.

 

Parlamentares como Cidinha Campos (PDT-RJ) o acusam de fazer proselitismo e dispor da proteção de policiais que deveriam estar nas ruas. Qual é a sua resposta?

A realidade se impõe contra a mediocridade. Deixo que os eleitores respondam. O meu grupo de seguranças é reduzido e condizente com a situação de risco (dez policiais se revezam na proteção de Freixo e de sua família 24 horas por dia).

 

O sr. é crítico tanto em relação ao governo estadual quanto ao federal. Com a experiência que acumulou, como deveria ser uma política de segurança consistente?

Em primeiro lugar, qualquer projeto de segurança deveria ser feito em parceria entre os governos estaduais e o federal. A questão é nacional e a segurança pública deveria estar acima de cor partidária ou ideologia: deve ser projeto de Estado, não de governo. A parceria na área de inteligência tinha que ser sistemática. No caso do Rio, as UPPs são importantes, mas não bastam. E há política por trás delas: por que a região de Copacabana tem tantas UPPs e na Baixada Fluminense, onde os índices de criminalidade são mais altos, não há nenhuma? O mapa das UPPs é um projeto de cidade, não de segurança pública. Outra pergunta: por que não há nenhuma UPP em áreas de milícia? Porque talvez elas ainda interessem à elite política corrupta do Rio. Temos uma polícia muito corrupta porque é grande a corrupção na política.

 

Em Tropa de Elite 2, o tráfico sai de cena para dar lugar às milícias como inimigo público número 1. Como combatê-las?

Propostas concretas existem, a questão é querer fazer. Antes de mais nada, é preciso tomar o território das milícias, como se fez com o tráfico. E intervir em suas atividades econômicas. No transporte, a licitação das vans talvez pudesse ser feita por meio de licenças individuais e não via cooperativas – dominadas pelo crime. A distribuição do gás também precisa ser mais bem fiscalizada: a Agência Nacional do Petróleo tem só cinco agentes em todo o Estado do Rio. E, claro, precisamos melhorar o salário e a formação do policial, além de dar mais estrutura às ouvidorias e à corregedoria.

Fonte: http://www.estadao.com.br

 

 

 

 

O melhor vinho

‘Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora’ [João 2:10].

Ao meditar nesse texto, e no seu contexto, percebo como em nossos relacionamentos, com o passar do tempo, vamos servindo ‘vinho inferior’…  É fundamental refletir todos os dias se estamos dando o ‘melhor vinho’ para as pessoas, especialmente as de perto, do cotidiano. Que a graça, o amor e a justiça perene de Jesus de Nazaré nos ilumine, inspire e influencie.

Comissão da Verdade gera polêmica entre Chico Alencar e Bolsonaro

A Comissão da Verdade, prevista no Projeto de Lei 7376/10, provocou polêmica durante dedate realizado pelo programa Manhã no Parlamento. Jair Bolsonaro, do PP do Rio de Janeiro, chamou de “comissão da mentira” o grupo que poderá ser criado para apurar casos de violação dos direitos humanos praticados durante o período da ditadura. Segundo o deputado, a comissão, nos moldes do que prevê o projeto, não teria isenção para avaliar este período da História do país. Já Chico Alencar, do PSol, também do Rio de Janeiro, diz que esta comissão é fundamental para reparar os danos causados às vítimas do regime militar.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ouça o debate baixando o link abaixo:

Clique aqui para baixar o conteúdo do debate

Fonte: http://www.camara.gov.br/internet/radiocamara/?lnk=0930-COMISSAO-DA-VERDADE-GERA-POLEMICA-ENTRE-CHICO-ALENCAR-E-BOLSONARO-2956&selecao=MAT&materia=122951&programa=41

Imposto de Renda – Corrigir uma injustiça

O PSOL apresentou emenda a Medida Provisória 528 aumentando o piso para a incidência do Imposto de Renda de R$ 1.566 para R$ 2.311,75.

A proposta é aumentar o número de alíquotas, que ficariam assim:

de R$ 0,00 a R$ 2.311,75 – isento

de R$ 2.311,75 a R$ 4.600 – 5%

de R$ 4.600 a R$9.200 – 10%

de R$ 9.200 a R$13.800 – 15%

de R$13.800 a R$20.700 – 20%

de 20.700 a R$ 31.050 – 30%

de R$ 31.050 a R$ 46.575 – 40%

acima de R$ 46.575 – 50%

Os impostos deveriam ser regidos pelo princípio da “capacidade contributiva”, mas no Brasil, ocorre o inverso: paga proporcionalmente mais, quem ganha menos. Essa iniciativa tem por objetivo contribuir na reversão disso. Só será aprovada se ouver uma forte pressão da cidadania ativa sob os deputados. Faça sua parte divulgue e escreva para os deputados/as federais.

A proposta na integra pode ser encontrada no http://www.camara.gov.br/sileg/integras/860855.pdf

Contentamento

Foto: Zoltán Vancsó Salföld, 2001

“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.

Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!

Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro.

Portanto eu lhes digo: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa?

Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?

Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé?

Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer?’ ou ‘Que vamos beber?’ ou ‘Que vamos vestir?’ Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas.

Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.

Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal”

[Evangelho segundo São Mateus, capítulo 6, versículos de 19 a 34, NVI].

Nos arredores da gravação do podcast irmaos.com #89 – Uma igreja relevante para o pobre

Eu estava nas cercanias da gravação do podcast irmaos.com de nº 89 – Uma igreja relevante para o pobre. Com a participação do Ariovaldo Ramos. Excelente programa! Vale ouvir:

http://www.irmaos.com/podcast/?id=4849

Foto: Fabio Pereira

Foto: Fabio Pereira

Foto: Fabio Pereira

Foto: Fabio Pereira

Foto: Fabio Pereira

Foto: Fabio Pereira

Foto: Fabio Pereira

Foto: Fabio Pereira

Foto: Fabio Pereira

Foto: Fabio Pereira

Foto: Fabio Pereira