Amizade


Fonte: http://egermano.com/blog

O amor é vida

Foto: Sebastião Salgado

“O amor é vida.
Tudo, tudo o que eu compreendo, compreendo porque amo.
Tudo é unido pelo amor apenas.
O amor é Deus, e morrer significa que eu, uma partícula do amor,
retornarei à fonte geral e eterna”

[Liev Tolstói]

Arrependimento

Foto: www.dreamstime.com

“O arrependimento vai desde a contrição por pecados evidentes, como o assassinato, […] até a compreensão de que deixar de amar é assassinato. Aquele que odeia o irmão é um assassino (1Jo 3:15); o olhar mal intencionado é adultério, e o gosto por receber elogios é roubar a glória de Deus”
[João Crisóstomo]

O grande legado do movimento wesleyano

Detentas de penitenciária de BH são aprovadas para curso de Direito

Divulgação / Seds - As detentas do PIEP aprovadas no vestibular do Instituto Metodista Izabela Hendrix

BELO HORIZONTE (28/01/10) – Três detentas do Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto (PIEP), administrado pela Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), acabam de ser aprovadas no vestibular para o curso de Direito do Instituto Metodista Izabela Hendrix. Elas se prepararam durante oito meses com a ajuda de professores da própria escola da unidade prisional. Estefânia de Oliveira e Naiani Lima, respectivamente de 34 e 23 anos, conseguiram bolsas integrais graças ao convênio de parceria estabelecido entre a Seds e a instituição de ensino. Já Caroline de Aguiar, de 22 anos, terá seus estudos custeados pela própria família.

“Fiquei muito feliz, não acreditei! Eu esperava passar, só não pensei que ficaria tão bem colocada.”, diz Estefânia, aprovada em 4º lugar, depois de ter interrompido os estudos por 10 anos. A detenta lembra que concorreu com pessoas que não estão privadas de liberdade, com chance de fazer cursinhos e acesso a diversificados recursos.

O bom resultado foi merecido. Naiani conta que elas tinham os materiais didáticos no alojamento – emprestados da própria biblioteca da unidade – e que estudavam todos os dias. Quando necessário, recorriam às professoras da escola, que tiravam suas dúvidas. Segundo ela, foi no presídio que o desejo de iniciar a graduação veio à tona. “Quando eu era mais nova eu tinha o sonho de fazer faculdade. Depois a vida foi seguindo outros caminhos e o sonho adormeceu. Ele foi ressuscitar aqui dentro”, diz a detenta, que, junto com as duas colegas, concluiu o Ensino Médio na prisão.

Como todo bom vestibulando, elas estavam muito nervosas no dia da prova. Para Naiani, além da tensão com o vestibular, havia a emoção de sair à rua sem uniforme e sem algemas. “A gente foi de calça jeans, blusa branca e tênis. Foi diferente, não teve aquele monte de olhar”. Ela afirma que a emoção de voltar a conviver com pessoas que não estão privadas de liberdade, não as faz esquecer que elas estão detidas em regime fechado, mas é uma motivação a mais para voltar a ser livre. “É um incentivo para querer fazer tudo certo, para voltar a viver em sociedade, de uma forma muito positiva, que é fazendo um curso, encaminhando o futuro”.

Preconceito

Detentas e ex-detentas têm que lidar com o preconceito das pessoas. Caroline diz que entende esse receio inicial e sabe que, mesmo as agentes penitenciárias indo escoltá-las sem uniforme, em algum momento os colegas de classe irão saber que ela é presidiária. Mas ela está segura de que vai saber administrar a situação e manter um bom relacionamento com eles.

Naiani também está consciente do preconceito que pode sofrer, mas concorda que tudo é uma questão de tempo. “Se no começo houver esse tipo de preconceito, depois, me conhecendo melhor, elas vão mudar esse pensamento, com certeza. Sou uma pessoa super tranquila”, afirma. Ela, inclusive, conversou sobre isso com outras detentas que já estão na faculdade e ficou sabendo que muitas pessoas tinham curiosidade em saber como é a vida no presídio e surpreendiam-se positivamente, descobrindo que era melhor do que imaginavam.

Orgulho

As aprovadas estão empolgadas por se tornarem motivo de orgulho para as famílias. Estefânia conta que apesar de não conversar com o ex-marido desde que foi presa, ele manifestou satisfação com o resultado. “Ele disse à nossa filha ter ficado feliz e que quer que ela seja inteligente igual a mim. Achei legal ele ter me colocado como exemplo nessa situação, porque, até então, eu não era exemplo de nada”. Já Naiani pensa, principalmente, na mãe: “amenizou tudo o que a gente está vivendo desde que fui presa. Ter conseguido essa oportunidade deu um conforto. Ela já pode pensar no que eu vou fazer quando sair daqui. Ela tem bons sonhos para mim e eu também tenho bons planos”.

Para a diretora de Atendimento e Ressocialização da PIEP, Ana Cristina Cesário Corrêa, a ajuda da família e o estímulo para que as detentas continuem estudando é fundamental ao sucesso das candidatas e à sua ressocialização. “Quando elas saem para a faculdade é bom para o ego, elas se sentem pessoas de verdade, valorizadas”, afirma Ana Cristina.

Caroline, que sempre teve a faculdade como projeto de vida, concorda com a importância que é começar o curso superior no presídio. “Dá a sensação de que a vida não está parada, estamos dando sequência, porque conhecimento nunca é demais. Nós erramos, mas estamos dispostas a melhorar, a ressocializar, a crescer. É meta de crescimento intelectual e pessoal”, diz.

Mas o maior orgulho parece ser o que as detentas estão sentindo delas mesmas. Naiani conta que aproveita todas as oportunidades que aparecem na unidade, o que, para ela, é uma forma de mudar e preparar o futuro para voltar à sociedade. “Minha história é uma motivação para as pessoas que cometeram um erro tentarem buscar o melhor, virar a vida de alguma forma”, orgulha-se.

Estudo

Em Minas Gerais, 4040 detentos, entre homens e mulheres, cursam os ensinos Fundamental e Médio e outras sete pessoas estão frequentando a faculdade enquanto cumprem as penas.

Na PIEP, detentas de regime fechado ou aberto, desde que comprovem carência socioeconômica, podem se candidatar às bolsas integrais oferecidas pelo Instituto Metodista Izabela Hendrix, que mantém parceria com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds).

De acordo com a diretora Ana Cristina, esse ano, outras cinco detentas concluíram o Ensino Médio no presídio e, provavelmente, irão tentar o vestibular no próximo semestre. “Para nós é gratificante, porque elas chegam aqui sem esperança, sem vontade para nada, e a gente está conseguindo que, a cada semestre, se formem mais pessoas”.

Fonte: Agência Minas

Pra não dizer que não falei das flores

Existe algo que presta na política? São todos ladrões e improdutivos?
O Prêmio Congresso em Foco, definido de forma independente de governos e partidos, separa o “joio do trigo” na Câmara dos Deputados e mostra quem foram os deputados que melhor cumpriram sua função.
Essa é a nossa redenção na esfera pública: sabermos distinguir os “bons” dos “maus”, fiscalizar e cobrar dos que elegemos que tenham posturas éticas, eficiente e cidadã. Só generalizar de forma injusta, não só não ajuda, como aumenta o reino dos pilantras que se alegra que todos são considerados como eles. Pense nisso…
Veja o discurso do eleito melhor deputado do Brasil em 2009:

“Como é feliz o homem que acha a sabedoria, o homem que obtém entendimento, pois a sabedoria é mais proveitosa do que a prata e rende mais do que o ouro”. [Provérbios 3:13]

Como fabricar tinta de terra ecológica?

Incompetência administrativa da Prefeitura de Duque de Caxias e Governo do Estado

O 4º andar do Hospital Dr. Moacyr do Carmo, que pelo projeto original, abrigaria um Centro para Tratamento de Queimados (CTQ), continua inacabado. Em junho do ano passado, representantes do Cisbaf (Consórcio Intermunicipal de Saúde da Baixada Fluminense) e de várias secretarias de Saúde da região estiveram no local. Na ocasião, foi apresentada a proposta de transformar o espaço em uma Unidade para Tratamento Intensivo (UTI) com 46 leitos. O Cisbaf ficou com a responsabilidade de elaborar o projeto da obra, cuja verba para a execução poderia vir do Governo Federal. No entanto, nada foi feito até agora e o quarto andar vem sendo utilizado como depósito de beliches, macas, colchões e outros objetos. São essas atitudes que a população de Duque de Caxias tem que estar cientes, não há manutenção no prédio, apesar de haver um contrato firmado de 5 anos de manutenção predial. Não há continuidade (…), onde o 4º andar seria um Centro para Tratamento de Queimados. Mas para a revitalização do Centro de Duque de Caxias tem recursos. Deixar um espaço daquele no hospital para depósito de macas, colchões entre outros materiais é um verdadeiro absurdo, e não esqueçamos que o atual Prefeito ainda não foi capaz, em mais de 1 ano, reformar o Hospital Duque de Caxias.

Mais de um ano depois de inaugurado, parte do hospital está sem equipamentos e subutilizado.

Fonte(reportagem e foto acima): http://www.caxiasnet.com/news/incapacidade%20de%20gest%C3%A3o%20na%20saude/

Falando em incompetência, recentemente mostrei o absurdo de valores que foi gasto na obra para fazer um “buraco” embaixo da estação ferroviária. Não bastasse o absurdo do montante gasto(mais de 38 milhões de reais!-foto abaixo) ao invés de invetir na drenagem, recuperação dos canais de escoamento das águas das chuvas, educação, saúde…, depois da dinheirama gasta, o buraco encontra-se, pasmem, fechado(também foto abaixo)!

Foto: Fabio Pereira

Foto: Fabio Pereira

Restaure seu planeta!

Fonte: http://taborita.blogspot.com/

Não morri pela primeira vez

Foto: Sandro Fortunato - http://twitpic.com/photos/sandrofortunato

Não morri pela primeira vez

Ricardo Gondim

A estrada de minha vida foi doce e adstringente em proporções iguais. Ri e chorei, ousei e apanhei com igual intensidade. Amei e odiei como todos os vis mortais. Não ouso reclamar dos afogamentos, dos desgostos, dos embotamentos. Sou vítima e verdugo, infectuoso e réu. Contudo, na metade dos meus cinquenta anos, baqueei.

As decepções se agigantaram no peito e o coração bateu sem ritmo – e, parece, ele nunca mais baterá igual; desilusões que nasceram, muito provavelmente, de olhos idealistas. Não, nunca fui ingênuo. Eu percebia as gambiarras institucionais; enxergava os olhares furtivos de monacais que sagazmente azeitam a máquina eclesiástica como meio de vida; notava as lógicas internas de um edifício doutrinário que não se sustenta diante da imensa tragédia humana. Mas, entusiasmado com minha própria potencialidade, insisti nos quixotismos. Eu não queria ver o mal que me rodeava. Meus olhos se fixavam nas conquistas – Conquistar o quê, meu Deus, se eu próprio não passava de um tolo que nunca se dominou?

As dores se sedimentaram e eu acabei no leito de um hospital. No intento de fazer o bem, ganhei inimigos. No esforço de ser relevante, fiz-me antipático. Descobri que a popularidade cobra um preço alto. Aprendi que o zelo pelo bem termina em patíbulo. Como um bicho selvagem que não se dobra diante do chicote, nunca me acostumei às pedradas. Sofro horrores com a saraivada dos infames. Minha carne vira combustível volátil na fagulha inclemente da mentira.

No leito, sem acesso à abóboda celestial, tomei certas decisões. Na absoluta depuração de ouvir os passos da Senhora da Foice, rabisquei nas tábuas do espírito: “Não sairei daqui o mesmo”. Minhas resoluções não precisam significar nada; elas são minhas, apenas minhas.

Decido distanciar-me completa e totalmente de qualquer debate doutrinário. Não preciso provar coisa alguma. Sem medo, vou caminhar sem carecer de bitolas. Teimoso, eu voltava a desafiar críticos. Mas agora me dou por vencido. Resignado, viro o lado esquerdo da cara para os Curadores da Reta Doutrina. Que eles fiquem com o báculo da ortodoxia. Que se refestelem com a enormidade de suas descobertas espirituais. Sinto que devo marinar a alma com temperos exóticos. Prefiro aprender com prostitutas – elas me precederão no Reino. Às vezes penso em gritar, mas já é tão tarde, meu Deus!

Decido abrir mão de buscar granjear seguidores. Meu caminhar não será comprometido por lisonjas – Quanto mais lisonjeados, mais dificultados de encarar o futuro!

Decido pactuar com quem não teme molduras, não pensa a partir de rótulos e não faz varredura no universo sagrado, que é a alma do próximo. Os purgativos que se encontrem na roda dos puros. Quero mergulhar a cabeça na poesia dos que a moralidade puritana considera insalubre. Não evitarei a genialidade dos maculados pelo crivo provinciano dos novos Torquemadas.

Decido dedicar-me à literatura. Ainda hei de escrever; mas não para salvar o mundo. Acredito que a pena do destro escritor tem o poder de resgatar a mim mesmo enquanto padeço. Insubstancial, vou tentar entender a força do verbo que se faz carne. Rei de mundos quiméricos, não vou necessitar proteger as costas de vampiros emocionais.

Renasço. Sem afetação, engatinho aos cinquenta e seis. Decido enfrentar a nova puberdade em melhores condições, espero. A proverbial energia dos adolescentes me encorajará na fascinante tarefa de me fazer humano na velhice. Peço tão somente que não me prendam em cercaduras, o horizonte teme os meus olhos e eu não cesso de persegui-lo.

Soli Deo Gloria

Ricardo Gondim é pastor da Igreja Betesda em São Paulo.

Fonte: http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=71&sg=0&id=2318

Do Avesso – Elismere Machado

Do Avesso


O avesso é todo desalinhado.

Vire uma peça de roupa do avesso e veja se tem coragem de usar.

Coragem até que possa ter.. difícil é encarar a opinião de outrem.

Contrário, hostil.

O lado de fora é oposto do avesso.

Oposto ao quê? O lado de fora é o certo? É o bonito? É o que vale?

Talvez.

Talvez sim, talvez não.

Vire o ser humano do avesso e veja se tem coragem de amar.

Coragem até que possa ter.. difícil é encarar a mazela do outro que verá.

Contrário, hostil. Mau.

O lado de fora é oposto do avesso.

Oposto a quem? O lado de fora é o certo? É o bonito? É o que vale?

Depende.

Depende do que vejo do lado de dentro, e o que escondo com o lado de fora.

Elismere Machado

A NAMORADA

O Sonho, Picasso.

A NAMORADA  – Manoel de Barros

Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia.
No tempo do onça era assim.

[Livro "Tratado geral das grandezas do ínfimo"].

Súplica pelos que choram – Ed René Kivitz


Súplica pelos que choram – Ed René Kivitz
Pai Celestial, hoje erguemos nossas vozes em intercessão pelos que choram seus mortos.

Reconhecemos que és Deus de amor e bondade, Deus de toda consolação, pleno em compaixão e rico em misericórdia, e por isso clamamos que derrames sobre todos os corações porção suficiente de tua paz que excede todo o entendimento.

Rogamos que tomes pela mão aqueles que estão perdidos em meio à escuridão, amedrontados no vale da sombra da morte, e os conduza em serenidade para a luz, dando-lhes novo frescor para a alma, renovando-lhes a esperança para a construção do amanhã, firmando-lhes os pés para a continuação da jornada, devolvendo-lhes a força para viver.

Rogamos que enxugues cada lágrima, recebendo-as como a mais pura oração, acolhendo-as como tributos aos que se foram, dando-lhes sentido e significado, transformando-as em memórias felizes e lembranças de amor e saudade que produzam frutos de vida.

Rogamos que com tua presença amorosa preenchas o vazio deixado pelas ausências, suprindo as faltas, recolhendo em teu colo de Pai cada um dos que hoje choram e dando-lhes a provisão em resposta às suas aflições, angústias e medos, mostrando-te companheiro e parceiro para a vida que segue.

Rogamos que consoles as mães e pais que perderam seus filhos e filhas, os apaixonados que perderam seus amores, as crianças que perderam seus pais, os amigos que perderam seus pares, e que derrames porções de amor suficiente para que a falta dos que se foram seja redimida por reconciliações, aproximações e aprofundamento dos laços de afeto de todos quantos ainda temos vida e oportunidade de amar.

Rogamos a ti, que és o Senhor da vida, que detenhas o poder da morte, e cuides dos que estão vestidos de luto para a que a morte de seus amados não lhes roube a alegria de viver; clamamos que detenhas o poder destrutivo desta tragédia, inspirando atos de solidariedade, compaixão e comunhão; e suplicamos que transformes a indignação e revolta destes dias em sementes que floresçam para a beleza e frutifiquem para a justiça.

Rogamos, nosso Pai, que fortaleças aqueles que perderam seus amados para que ergam memoriais de honra aos que se foram, para que vençam a morte com a insistência em viver, o medo com fé, a desesperança com a insistência em semear a terra regada pelo sangue dos inocentes.

Pai Celestial, em nome de teu Filho Jesus, que venceu a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade, rogamos que envies teu Espírito Santo a consolar todos os que choram, a cuidar dos que estão com o coração quebrantado e a por, sobre os que de luto estão, uma coroa em vez de cinzas, vestes de alegria ao invés de pranto, manto de louvor ao invés de espírito angustiado, afim de que se levantem como carvalhos de justiça, para a tua glória. Amém

Sobre o Haiti

Foto extraída do blog dos pesquisadores da Unicamp no Haiti - http://lacitadelle.wordpress.com/

Sugiro algumas páginas que abordam a tragédia daquele povo sob outra perspectiva; mais realista, humana, verdadeira e histórica. A despeito da grande mídia, como sempre, carniceiros de plantão, transformando a dor em espetáculo e distorcendo a realidade.

Este blog é de Pesquisadores da UNiCAMP no Haiti, que estão naquele país desde 29 de dezembro de 2009. Vale muito ler os escritos de quem está lá, no olho do furacão e com uma visão realista dos fatos: http://lacitadelle.wordpress.com/

“Os sinos dobram no meu aniversário”, texto do Ricardo Gondim: ‏http://bit.ly/8We6Di

Este artigo ja é mais aprofundado, com dados e abordagem bem interessante: “A militarização de emergência ao Haiti: trata-se de uma ajuda humanitária ou invasão?”: http://www.resistir.info/chossudovsky/haiti_15jan10.html

Campanha pelo fim da divída externa do Haiti: http://one.org/international/actnow/haiti/index.html?rc=haiticonfemail

Por fim, um artigo do jornalista Alberto Dines – “Solidariedade ao Haiti. Até quando?”: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=572IMQ012

Foto extraída do blog dos pesquisadores da Unicamp no Haiti - http://lacitadelle.wordpress.com/

Foto extraída do blog dos pesquisadores da Unicamp no Haiti - http://lacitadelle.wordpress.com/

Foto extraída do blog dos pesquisadores da Unicamp no Haiti - http://lacitadelle.wordpress.com/

Foto extraída do blog dos pesquisadores da Unicamp no Haiti - http://lacitadelle.wordpress.com/

Desafio existencial

Bom ver um cristão “bem na foto”, diante do mar de lama ou espetáculos vazios que proliferam na cristandade. Aliás, este reconhecimento nada mais é do que o resultado do evangelho puro e simples.

O recorte de matéria abaixo faz parte da seleção da Revista Época de pessoas que se destacaram na cidade de São Paulo em 2010.

Como a própria revista define: “Paulistanos nascidos ou adotados pela cidade. Artistas, esportistas, ativistas, crianças, jovens e adultos que fazem a metrópole que a gente quer ver”.

Um desafio existencial para a chamada igreja evangélica brasileira… Desfrutem da matéria e das mensagens do Ed, o link está na reportagem.

 

Foto: Revista Época

 Ed René Kivitz, pastor.

 
A voz do santista preenche o auditório improvisado para 2 mil pessoas, montado numa enorme tenda de circo na Barra Funda. Kivitz está falando sobre a campanha solidária que a Igreja Batista de Água Branca, que lidera há duas décadas, empreende todo Natal. Talvez, ele conjectura, fosse mais lógico aplicar o dinheiro arrecadado para acomodar melhor aquelas pessoas. “Seria mais confortável”, ele admite ao microfone. “Mas nós não estamos aqui para buscar o conforto. Quando uma igreja inverte sua prioridade, ela começa a se perder, e a se perder em sua missão de servir.”
A abordagem de Kivitz, 45 anos, vai na contramão da assertividade e da ostentação que marcaram as duas últimas décadas de movimento evangélico brasileiro. “Eu falo como líder religioso em uma cidade como São Paulo, para um auditório formado quase totalmente por gente com nível universitário. Essas pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade. As dúvidas delas são minhas dúvidas. E, juntos, podemos encontrar algumas respostas satisfatórias.”
O grande marco disso que ele chama de “desafio existencial” em 2009 foi um exaustivo estudo do livro Atos dos apóstolos, sobre as origens da igreja cristã. Em 2010, esse mesmo estudo (baixado semanalmente por mais de 6 mil pessoas no http://www.ibab.com.br/mensagens.html) vai virar livro, o sétimo de Kivitz.
“Foi um período muito rico de confrontação entre a essência da espiritualidade cristã e o cardápio religioso que está posto diante de nós numa cidade como São Paulo.”
Ricardo Alexandre
 
Fonte: http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/0,,EMI112555-15368-4,00-A+CARA+DE+SAO+PAULO.html

Solidariedade, urgente!

Hoje a noite (01/01/2010)  fui com o amigo Vitor Carlos em duas escolas onde estão parte dos desabrigados da enchente, o Ciep 089, no bairro Pantanal e na escola Cora Coralina, na margem da Presidente Kennedy, logo após o Lote XV.

Veja algumas fotos abaixo, mas não repare a qualidade, era noite e foram feitas de um celular(amanhã, de dia, prometo fazer fotos melhores). Para ter uma ideia do que as pessoas passaram, só lembre-se que estas fotos foram feitas mais de 24 horas depois das chuvas e não choveu mais depois de ontem…

A necessidade urgente é de copos e fraldas descartáveis,  produtos de higiene pessoal(sabonete, pasta e escova de dente, shampoo…) e produtos de limpeza(vassouras, rodos, cloro, desinfetante…).  Claro que quem doar alimentos e/ou roupas, também será utilizado.

Quem quiser ajudar, por favor, me procure ou vá direto a estas e outras escolas que estão servindo de abrigo para as famílias.

Mas saiba que sua ajuda é muito importante!

Segue meu celular para quem queira mais detalhes: (21) 8252-7040.

Área próxima ao Ciep Cora Coralina, na margem da Av. Presidente Kennedy

Também na mesma localidade

Mesma localidade

Mesma região

Lote XV, outra região muito atingida pela enchente.

Também no Lote XV

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Fotos de hoje, 02/01/2010:

Conjunto Nova Esperança

Conjunto Nova Esperança

Conjunto Nova Esperança

Residência no Conjunto Nova Esperança

Residência no Conjunto Nova Esperança

Margem da Av. Presidente Kennedy

Casas completamente inundadas na margem da Av. Presidente Kennedy

Margem da Av. Presidente Kennedy - Cidade dos Meninos

Margem da Av. Presidente Kennedy - Cidade dos Meninos

Margem da Av. Presidente Kennedy - Cidade dos Meninos

Margem da Av. Presidente Kennedy - Cidade dos Meninos

Margem da Av. Presidente Kennedy - Cidade dos Meninos

Margem da Av. Presidente Kennedy - Cidade dos Meninos

Para quem não leu o texto que escrevi mês passado, na ocasião das enchentes anteriores a essa, vale ler, comentar e espalhar. Não dá pra gente achar que é um problema da natureza e que as autoridades não têm parte nisso…

http://fabiopereira.wordpress.com/2009/11/12/enchentes-na-baixada-apagao-de-vida/

Sigamos, com força e fé.

Fabio Pereira

*Acabei de receber a notícia, às 15h de 02/01/2010, que a CEDAE cortou a água de bairros que sofreram enchentes. Moradores do Conjunto Nova Esperança, bairro São Bento, em Duque de Caxias, voltaram para suas casas hoje para limpar suas casas e deparam com a surpresa ingrata da CEDAE: não há fornecimento de água encanada! Já não bastasse a omissão do governo do estado em relação as enchentes na Baixada, ainda mais essa!? É de perder a paciência…

Para pensar 2010

Sem radicalismo, sem apelação. Apenas para refletirmos.
Infelizmente ninguém está interessado em saber qual é o custo para o planeta quando se vai ao supermercado comprar a carne para o churrasco.
Não sou vegetariana, mas há um certo tempo venho percebendo que ao diminuir o consumo de carne (principalmente a vermelha) sinto-me muito melhor. Não seria o momento de rever certos conceitos?

Fonte: http://tentoentender.blogspot.com/

http://bit.ly/508giJ

Fonte: http://bit.ly/508giJ

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Fonte: http://bit.ly/508giJ

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Fonte: http://bit.ly/508giJ

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Fonte: http://bit.ly/508giJ

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Fonte: http://bit.ly/508giJ

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Fonte: http://bit.ly/508giJ

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Mia Couto e Agualusa

Vale a pena ganhar tempo ouvindo esta preciosa entrevista. Logo abaixo do vídeo, poesias e contos de Mia Couto e crônicas de José Eduardo Agualusa.

POEMA DA DESPEDIDA
[Mia Couto]

Não saberei nunca
dizer adeus

Afinal,
só os mortos sabem morrer

Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser

Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo

Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos

Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo.

SER,PARECER
[Mia Couto]

Entre o desejo de ser
e o receio de parecer
o tormento da hora cindida

Na desordem do sangue
a aventura de sermos nós
restitui-nos ao ser
que fazemos de conta que somos.

PARA TI
[Mia Couto]

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que falhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só olhar
amando de uma só vida.

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A CARTA
[Mia Couto]

A velha dobrou as pernas como se dobrasse os séculos. Ela sofria doença do chão, mais e de mais se deixando nos caídos. Amparava-se em poeiras, seria para se acostumar à cova, na subfície do mundo?

- Me leia a carta. Me entregava o papel marrotado, dobrado em mil sujidades. Era a Carta de seu filho, Ezequiel. Ele se longeara, de farda, cabelo no zero. A carta, ele a enviara fazia anos muito coçados. Sempre era a mesma, já eu lhe conhecia de memória, vírgula a vírgula.

- Outra vez, mamã Cacilda?
- Sim, maistravez.

Sentei o papel sob os olhos, fingi acarinhar o desenho das letras. Quase nem se viam, suadas que estavam. Dormiam sob o lenço de Cacilda, desde que chegara a guerra. Essas letras cheiram a pólvora, me rodilham o coração. Era o dito da velha.

Agora, passados os tempos, aquele papel era a única prova do seu Ezequiel. Parecia que só pelo escrito, sempre mais desbotado, seu filho acedia à existencia. Nas primeiras vezes eu até me procedia à leitura, traduzindo a autêntica versão do pequeno soldado. Eram letras incertinhas, pareciam crianças saindo da formatura. Juntavam-se ali mais erros que palavras. O recheio nem era maior que o formato.

Porque naquela escrita não havia nem linha de ternura. O soldado aprendera a guerra desaprendendo o amor? Em Ezequiel, morrera o filho para nascer o tropeiro? Nas primeiras leituras, meu coração muito se apertava em inventadas dedicatórias aquela mãe. Enquanto lia, eu espreitava o rosto da idosa senhora, tentando escutar uma ruga de tristeza. Nada. A velha se imovia, como se tivesse saudade da morte. Seus olhos não mencionavam nenhuma dor. Eu tentava um alivio, desculpar o menino que não sobrevivera à farda. Nem se entristenha, mamã Cacilda. Também, maneira como carregaram esse menino para a tropa! Sem camisa, sem mala, sem notícia. Atirado para os fundos do camião como se faz às encomendas sem endereço.

- Entenda, mamã Cacilda.

Mas ela já dormia, deitada em antiquíssima sombra. Ou mentia que Dormia, debruçada na varanda da alma? Fingia, a velha. Como o rio, num açude, se disfarça de lagoa. Depois, ela regressava às pálpebras, me apressava.

- Continua. Por que paraste?

Já não restava nada que ler. Era só o gorduroso gatafunho, despedida Sem nenhum beijo. Pode a carta de um saudoso filho terminar assim «unidade, trabalho, vigilância»? Mas a velha insistia, cismalhava. Eu que lesse, toda a gente sabe, as letras igualam as estrelas mesmo poucas são infinitas. Eu lhe fosse paciente, pobre mãe, sem nenhuma escola. Foi então que passei a alongar aquela tinta, amolecendo as reais palavras. Inventava. Em cada leitura, uma nova carta surgia da velha missiva.

E o Ezequiel, em minha imagináutica, ganhava os infindos modos de ser filho, homem com méritos para permanecer menino. Cacilda escutava num embalo, houvessem em minha voz ondas de um sepultado mar. Ela embarcava de visita a seu filho, tudo se passando na bondade de uma mentira. Diz-se na própria doideira dos vamos loucurando. Até, um dia, me trouxeram notícia. Ezequiel perdera, para sempre, a existencia. Ele se desfechara em incógnitos matos, vitima dos bandos. A mãe nem suspeitava. Perguntei desconhecia-se o paradeiro dela. Ficasse eu atribuido de lhe entregar o escuro anúncio. Esperei. Nesse fim de tardinha, porém, mamã Cacilda não compareceu em minha casa. Assustei adivinhara ela o destino do Ezequiel? Quem conhece os poderes de uma mãe em exercicio de saudade? Decidi ir ao seu lugar. Parti ainda restavam manchas do poente. Cacilda cozinhava uns míseros grãos, ementa de passarinho.

- Senta, meu filho, fica servido, não custa dividir pobrezas.

Fui ficando, me compondo de coragem. Como podia eu deflagrar aquele luto? Comemos. Melhor fingimos comer. Faz conta é uma refeição, meu filho. Faz conta. Modo que eu vivo, fazendo de conta.

- E agora, diz porque vieste nesta minha casa?
Olhei o chão, o mundo escapava pelo fundo. Ela venceu o silêncio.
- Me vens ler o meu filho?

Acenei que sim. Aceitei o velho papel mas demorei a começar. Eu queria acertar os meus tons, evitando o emergir de alguma tremura. Finalmente, atravessei a escrita, ao avesso da verdade. Trouxe as novas do filho, seus consecutivos heroísmos. Ele, o mais bravo, mais bondoso, mais único. Como sempre, a mãe escutou em qualificado silêncio. Às vezes, no colorir de um parágrafo, ela sorria sempre igual, esse meu filho. Eu me parabendizia, cumprida a missão do fingimento. Me despedi, quase em alívio. Foi então, em derradeiro relance, que eu vi a velha mãe lançava a carta sobre a fogueira. Ao meu virar, ela emendou o gesto. O papel demorou um instante a ser mastigado pelo fogo. Nesse brevíssimo segundo, eu anotei a lágrima pingando sobre a esteira. Ela fingiu tirar um fumo do rosto, fez conta que metia a carta sob o lenço. Me voltei a despedir, fazendo de conta que aquele adeus era igual aos todos que já lhe concedera.

SANGUE DA AVÓ MANCHANDO A ALCATIFA

Siga-se o improvérbio dá-se o braço e logo querem a mão. Afinal, quem tudo perde, tudo quer. Contarei o episódio evitando juntar o inutil ao desagradável. Veremos, no final sem contas, que o ultimo a melhorar é aquele que ri. Mandaram vir para Maputo a avó Carolina. Razões de guerra. A velha mantinha magras sobrevivências lá, no interior, em terra mais frequentada por balas que por chuva. Além disso, a avó estava bastante cheia de idade. Carolina merecia as penas. A vovó chegou e logo se admirou dos luxos da familia. Alcatifas, mármores, carros, uisques tudo abundava.

Nos principios, ela muito se orgulhou daquelas riquezas. A Independencia, afinal, não tinha sido para o povo viver bem? Mas depois, a velha se foi duvidando. Afinal, de onde vinham tantas vaidades? E porque razão os tesouros desta vida não se distribuem pelos todos? Carolina, calada em si, não desistia de se perguntar.

Parecia demorar-se em estado de domingo. Mas, por dentro, os mistérios lhe davam serviço. Na aldeia, a velha muito elogiara a militancia dos filhos citadinos, comentando os seus sacrificios pela causa do povo. Em sua boca, a familia era bandeira hasteada bem no alto, onde nem poeira pode trazer mancha. Mas agora ela se inquietava olhando aquela casa empanturrada de luxos. A filha vinha da loja com sacos cheios, abarrotados.

- Este abastecimento não é tão demais?
- Cala vovó. Vai lá ver televisão.

Sentavam a avó frente ao aparelho e ela ficava prisioneira das Luzes. Apoiada numa velha bengala, adormecia no sofá. E ali lhe deixavam. Mais noite, ela despertava e luscofuscava seus pequenos olhos pela sala. Filhos e netos se fechavam numa roda, assistindo video. Quase lhe vinha um sentimento doce, a memória da fogueira arredondando os corações. E lhe subia uma vontade de contar estórias. Mas ninguém lhe escutava. Os miudos enchiam as orelhas de auscultadores. O genro, de óculos escuros, se despropositava, ressonante. A filha tratava-se com pomadas, em homenagem aos gala-galas(*) [* lagarto de cabeça azul]. A avó regressava à sua ilha, recordando a aldeia. Lá, no incendio da guerra, tudo se perdera. Ficaram
sofrimentos, cinzas, nadas.

- Essas coisas todas, meu genro, de onde vêm?
- São horas extraordinárias.

Devia ser horas muito extraordinárias, avaliava a avó. Cansada de tanta coisa que não podia explicar, ela pediu para regressar. Voltava para o lugar onde pertencia, vizinha da ausência. Então, os filhos lhe ofereceram roupas bonitas, sapatos de muito tacão e até um par de óculos para corrigir as atenções da idosa senhora. Carolina cedeu à tentação. Bonitou-se. Pela primeira vez saiu a ver a cidade.

- Nunca atravesse nenhuma rua. Você não tem idade para pedestrar.

Não chegou de atravessar. Logo no passeio, ela viu os meninos farrapudos, a miséria mendigando. Quantas mãos se lhe estenderiam, acreditando que ela fosse proprietária de fundos bolsos? A avó sentou-se na esquina, tirou os óculos, esfregou os olhos.

Chorava? Ou sentia apenas lágrimas faciais, por causa das indevidas lentes? Regressada a casa, ela despiu as roupas, atirou no chão os enfeites. Da mala de cartão retirou as consagradas capulanas, cobriu o cabelo com o lenço estampado. E juntou-se à sala, inexistindo, entre o parentesis dos parentes. Nessa noite, a televisão transmitia uma reportagem sobre a guerra. Mostravam-se bandidos armados, suas medonhas acções. De subito, sem que ninguém pudesse evitar, a velha atirou sua pesada bengala de encontro ao aparelho de televisão. O ecran se estilhaçou, os vidros tintilaram na alcatifa. Os bandidos se desligaram, ficou um fumo rectangular.

- Matei-lhes, satanhocos gritou a avó.

Primeiro todos se estupefactaram. Os meninos até choraram, assustados. O genro reabilitou-se aos custos. Soprando raivas, ergueu-se em gesto de ameaça. Mas a avó, apanhando a bengala, avisou o homem:

- Tu cala-te. Não sentes vergonha? Há bandidos a passear aqui na tua sala e tu não fazes nada.

Incrustada em espanto, a familia encarava a anciã. Carolina monumentara-se, acrescida de muitos tamanhos. Então, atravessou a sala, vassourou os estragos, meteu os vidrinhos num saco de plástico.

- Estão aqui todos disse.

E entregou o saco ao genro. Do plástico pingavam gotas de sangue. O genro espreitou as próprias mãos. Não, ele não se tinha cortado. Era sangue da avó, gotas antiquissimas. Tombaram no tapete, em vermelha acusação. Na manhã seguinte, a avó despachou o seu regresso. Voltou à sua terra, nem dela se soube mais. Na cidade, a familia se recompos sem demora. Compraram um novo aparelho de televisão, até que o anterior já nem era compativel. De vez em quando recordavam a avó e todos se riam por unanimidade e aclamação. Festejavam a insanidade da velha. Coitada da avó. No entanto, ainda hoje uma mancha vermelha persiste na alcatifa. Tentaram lavar desconseguiram. Tentaram tirar os tapetes impossível. A mancha colara-se ao soalho com tal sofreguidão que só mesmo arrancando o chão. Chamaram o parecer do feiticeiro. O homem consultou o lugar, recolheu sombras. Enfim, se pronunciou. Disse que aquele sangue não terminava, crescia com os tempos, transitando de gota para o rio, de rio para oceano. Aquela mancha não podia, afinal, resultar de pessoa única.

Era sangue da terra, soberano e irrevogável como a própria vida.

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José Eduardo Agualusa – Crônicas


ANDO A LER UM DICIONÁRIO
[José Eduardo Agualusa]

Há poucos dias, na Feira do Livro de Lisboa, um homem parou diante de mim, e depois de me cumprimentar apresentou-me o filho, um menino dos seus onze anos: “Este é o António. Diga-lhe alguma coisa que o faça ler. Lá em casa todos nós temos a paixão pelos livros, há livros em toda parte, mas ele não se interessa por nenhum. O que fazer?”

Tentei, um tanto assustado, fugir ao desafio. Dei uma resposta qualquer, evasiva, mas depois que eles se foram embora pus-me a pensar naquilo. Como foi que eu próprio descobri a literatura? Devia ter a idade do António quando encontrei na biblioteca dos meus pais uma belíssima enciclopédia ilustrada, do início do século vinte, em dois volumes. Procurava-se a palavra “aves”, por exemplo, e havia uma ou duas páginas com preciosas estampas coloridas de aves de todo o mundo. Tinha, além disso, imensas mulheres nuas — um deslumbramento! Lembro-me em particular da famosa tela de Rubens, “O Julgamento de Paris”, talvez o primeiro concurso de misses de que há notícia. Paris, Príncipe de Tróia, tem de decidir quem é a mais bela: Hera, Atena ou Afrodite. São três mocetonas bem nutridas, três deusas clássicas, de rijas e luminosas carnes brancas. A bem dizer foi por causa das mulheres que eu me apaixonei pelos livros. Descobri que por detrás daquelas imagens, por detrás de cada mulher, mais ou menos despida, havia um enredo, e passei a interessar-me por essas histórias.

Nunca mais deixei de ler. Leio de tudo um pouco, romances, ensaios, poesia, e, é claro, continuo a interessar-me por enciclopédias e dicionários. Gosto particularmente de ler dicionários. A minha última paixão, em matéria de dicionários, chama-se Houaiss. Esperei por ele uns bons seis anos. Sempre que ia a uma bienal do livro, no Rio de Janeiro ou em São Paulo, perguntava pelo Houaiss. “Sai para o ano”, respondiam-me imperturbáveis os responsáveis pelo projecto, e, para manterem aceso o meu interesse, agitavam factos e números: mais de 228 mil verbetes, extensos grupos de sinónimos e antónimos, levantamentos de homónimos, parónimos, colectivos, informações de gramática e uso, bem como da origem de cada palavra; é o primeiro dicionário a registar a data em que a palavra entrou na língua, etc. e tal. Finalmente, há alguns meses, o embaixador do Brasil em Berlim, Roberto Abdenur, ofereceu-me um exemplar (três quilos e seiscentos gramas em papel bíblia!), e pude assim confirmar a justeza da publicidade. Mais recentemente pedi a uma amiga que me enviasse, de São Paulo, a versão electrónica do Houaiss. Não me desiludiu.

Conheci o António Houaiss há muitos anos, numa ocasião em que veio a Lisboa defender o Acordo Ortográfico. Fiquei imediatamente seduzido pelo esplendor do seu português, o rigor, a riqueza, o entusiasmo com que aquele frágil velhinho carioca, filho de imigrantes libaneses, falava a nossa língua. Ouvir o António Houaiss discursar era uma alegria para a alma. Lembro-me de Natália Correia (a falta que ela faz a Portugal!), aos gritos, numa das salas da Assembleia da República:

“Ajoelhem-se! Ajoelhem-se diante da erudição deste homem! Aprendam como se fala a nossa língua!”

O dicionário em que António Houaiss trabalhou durante tantos anos, e que acabou por ser concluído, com o apoio de uma vasta equipa de especialistas, brasileiros, portugueses e africanos, já após a morte do seu mentor, é o melhor monumento à memória do grande lexicógrafo. Por incrível que pareça, porém, não vi na Feira do Livro nenhum exemplar à venda — e refiro-me à edição brasileira, da Editora Objetiva, porque (ó escândalo!) não existe ainda uma versão portuguesa.

O velho Houaiss teria sabido, certamente, o que dizer ao outro António, de onze anos, de forma a cativá-lo para a literatura. O que quer que ele dissesse parecia ser sempre novo. As palavras saíam-lhe dos lábios vigorosas e polidas, a brilhar, como se tivessem sido estreadas naquele mesmo instante. Suspeito que o pequeno António iria à procura dos livros, depois de ouvir António Houaiss, apenas no afã de descobrir neles, uma outra vez, a luz da nossa língua.

ILUSTRES DESCONHECIDOS
[José Eduardo Agualusa]

Um dia acontece. Você entra num autocarro. Lá fora chove a cântaros e você está encharcado até aos ossos. Sente-se irritado e deprimido, porque falta uma eternidade para chegar o Verão, porque não gosta do seu chefe, porque lhe dói um dente, porque já perdeu todas as ilusões e sabe que nunca beijará a Nicole Kidman. Então pisa inadvertidamente o pé demasiado grande de um sujeito qualquer. Tem vontade de repisar o pezudo. Afinal chove lá fora e ã Nicole Kidman jamais o beijará. A um homem encharcado, um pobre homem à deriva numa cinzenta e fria tarde de Inverno, com dores de dentes, a um homem que já desistiu da Nicole Kidman, a um homem assim não se lhe pode exigir paciência. Você, no entanto, teve uma boa educação. Controla-se e pede desculpa. Mas eis que o pisado, o pezudo, reage aos gritos, ofendendo de forma vil a senhora sua mãe. Discutem, caramba!, mãe é mãe. E então o homem ergue o dedo:

“0 senhor sabe com quem está a falar?”

Um dedo tremendo. Uma tremenda frase. Nunca a escutou? A sério?! Um dia acontece. Eu escutei. Num cenário muito mais confortável, reconheço, embora também estivesse encharcado e chovesse lá fora. Foi nos banhos termais do Hotel Gellert, em Budapeste, numa piscina com água a trinta e oito graus de temperatura. Flutuava de costas, de olhos bem fechados, imaginando o momento em que beijarei a Nicole (ainda não perdi as ilusões), quando de repente alguna coisa vasta e mole caiu em cima de mim. Mergulhei naquela água nublada, aflito, sentindo que me afogava, que me ia afogar ali -mesmo, numa tigela de sopa, eu, filho de um professor de natação, até que consegui re-cuperar o pé e emergir, tossindo muito, sob a luz lassa e húmida. Os outros banhistas, meia dúzia de paquidermes muito velhos e muito alvos, vestidos apenas com um curto avental de pano, observavam-me de soslaio, disfarçando o riso. A coisa que caíra em cima de mim, quase me afogando, parecia-se com um deles. Porém, assim que abriu a boca – não para se desculpar, antes para me recriminar por estar ali, boiando, atravessado no seu caminho -, reconheci o sotaque: era um turista americano. Discutimos, claro, e eis que o vejo erguer o dedo:

“O senhor sabe com quem está a falar?” Não, desgraçadamente eu não sabia. O velho, então, encheu-se de paciência:

“Conhece o Robert Capa?”

Anuí com a cabeça. Quem não conhece?

“Ele nasceu aqui, sabia?, em Budapeste. E não se chamava Robert Capa, chamava-se Andrei Friedmann. Bem, o tipo tem uma fotografia tirada a 6 de Julho de 1944, durante a invasão da Normandia, que mostra um soldado americano a avançar para a praia, debaixo de fogo, só com o rosto fora da água. Já a viu?”

E quem não viu? Um pobre rapaz com o capacete enterrado na cabeça, agarrado a uma arma, entre destroços. Olhando aquela imagem consegue-se até ouvir o fragor das explosões.

O velho encarou-me em triunfo:

“Pois sou eu!”
Depois fez uma vénia elegante – quero dizer: tão elegante quanto lhe permitia o ridículo avental – e acrescentou:

“Sou o mais famoso desconhecido do mundo.”

Contou-me a sua história. Não acreditei numa única palavra, mas ficámos amigos. Ouvi-o com atenção, em parte por delicadeza, em parte porque tenho um fraco por desconhecidos, mesmo os ilustres. É verdade. A maior parte das pessoas quer saber tudo sobre Nefertiti ou Tutancamon. A mim o que realmente me fascina é o destino do anão negro Seneb, chefe do guarda-roupa real e de todos os anões do palácio do faraó, dois mil e quatrocentos anos antes de Cristo. Recordo-me, a propósito, de uma outra fotografia de Robert Capa, mais famosa, que fixa o instante exacto da morte de um combatente republicano durante a Guerra Civil de Espanha. Adivinha-se naquela imagem todo um romance por escrever. Um triângulo de ódios e amores: a história do homem que se vê, caindo para trás, os braços abertos; o destino do que o espreitava atrás de uma câmara, eternizando o momento, e o do que o matou com um tiro certeiro. Tenho a certeza de que nenhum ensaio, nenhuma biografia de Francisco Franco, ou de outra figura notória da época, nos poderia ensinar mais sobre as razões profundas do conflito.

Portanto, quando um dia você entrar num autocarro, enquanto lá fora chove a cântaros, e pisar um pezudo e ouvir a tremenda frase: “Você sabe com quem está a falar?”

Quando isso acontecer domine a vontade de o pisar de novo, respire fundo e sugira:

“Não, não sei. Quem é você?”

Talvez seja o sujeito que, naquela triste tarde de Espanha, matou o combatente republicano. Os autocarros – acreditem – estão cheios de ilustres desconhecidos.

*Editado originalmente na revista Pública

Fontes: YouTube e http://culturadetravesseiro.blogspot.com/

Saber Viver


Não sei… Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura… Enquanto durar

[Cora Coralina]

Contra a pobreza, a favor dos pobres

Foto: Sebastião Salgado


“Quantos pobres são necessários para fabricar um rico?”.
César Vallejo, poeta peruano
Resumindo a situação de tristeza e descaso sofrida pelos índios nas Américas, o equatoriano Juan Montalvo (1832-1889) certa vez disse que “se a minha pena tivesse o dom das lágrimas, eu escreveria um livro intitulado O Índio e faria chorar o mundo”.

A exemplo do poeta Montalvo, todos nós que tivemos a oportunidade de escapar da pobreza e de não conhecermos a dor da fome, deveríamos escrever, cada um de nós, nossos livros e intitulá-los “A fome: a mais abjeta situação dos homens” e, dessa forma, também fazer chorar o mundo.

Afinal, todos os anos milhões de pessoas morrem na África, Ásia, Américas e também na Europa, simplesmente por nada terem o que comer. São simplesmente alarmantes e inadmissíveis os dados disponíveis dos organismos internacionais sobre a fome no mundo: a cada quatro segundos uma pessoa morre de fome – 75% delas são crianças menores de cinco anos de idade. São 15 mortes por minuto, quase 22 mil por dia, mais de 8 milhões por ano.

Não é segredo a ninguém de que a fome dos dias atuais não acontece em decorrência da falta de alimentos. Logo, “alguém”, de forma desumana e impiedosa, tem pisoteado no sofrimento dos mais necessitados, condenando milhões de seres humanos a mais abjeta situação: morrer de fome.

O certo é que ninguém escolhe ser pobre. Todos o são como vítimas de relações injustas, diz acertadamente Frei Betto.

A pobreza de uns, não pode ser decorrente da soberba e ganância de outros. A riqueza não tem o direito de esfoliar a pobreza, assim como o mundo rico não pode abandonar os mais pobres à própria sorte. Se sobra para uns o que tanto falta aos outros, a repartição, nesse caso, deve ser ato obrigatório, pois além de ser moralmente desejável, tal ato vem revestido de dignidade e de forte sentimento humano, naquilo que todos clamamos: o respeito à vida.

As mais variadas doutrinas teológicas tem exaustivamente insistido, à sua maneira, na opção a favor dos pobres. A Teologia da Libertação, cujo berço de propagação é a América Latina, exclama que “fora dos pobres não há salvação”. De igual modo, a doutrina (ou filosofia de vida) decodificada por Allan Kardec acentua que “a caridade produzirá a salvação”.

Todavia, talvez o maior exemplo desse engajamento doutrinário religioso em favor dos pobres esteja com Jesus, o Cristo. Quando inicia Seu ministério, deixa o Jordão e dirige-se à Galiléia. Dentre todas as vilas ao norte do lago Tiberíades, escolhe Cafarnaum – refúgio dos mais pobres dentre os pobres, como bem assinala Maria José de Queiróz na obra Em nome da pobreza.

A imperfeição da sociedade

A existência da fome e da miséria evidencia a imperfeição da sociedade, e mostra, antes de qualquer outra coisa, que o homem, por natureza, pensa e age de forma individual, e não coletiva, pois somente isso explica a abundância de um lado, enquanto, do outro, a escassez ceifa vidas. Santo Agostinho, no século III, a esse respeito, se manifestou: “O supérfluo dos ricos é o necessário dos pobres”.

Num mundo cujos modelos econômicos desvalorizam os seres humanos e enaltecem o valor do dinheiro, as relações sociais, a cada dia, se desvanecem por completo. Não é à toa que, nesse pormenor, o sujeito central do processo de crescimento, em várias partes do planeta, continua sendo o mercado, e o objetivo final, a mercadoria.

Isso remonta tempos antigos. Historicamente, sobre os alicerces da miséria e da fome o grande capital construiu (e vem solidificando, desde então) sua riqueza, assim como várias sociedades foram edificadas nos padrões do luxo, usando o sangrento suor dos escravos, tratados como meros seres descartáveis.

O mundo aboliu a escravidão “libertando” os negros do cativeiro, mas não aboliu o salário indigno pago aos trabalhadores do momento – os novos “escravos” do dias atuais. O salário mínimo pago, na média, nos primeiro anos do século XXI, é inferior ao custo médio para manter um escravo nos últimos anos da escravidão, no século XIX.

O homem moderno ainda não se deu conta de que o mais importante é a sociedade, e não o mercado. Enquanto não for mudada essa visão, trocando o mercado e a mercadoria pelo ser humano, as desigualdades continuarão a ser vistas como meras estatísticas nos boletins informativos dos acadêmicos e nos balanços sociais dos governos, e a exclusão social continuará a ser a maior chaga dos tempos hodiernos.

Apóstolos das transformações sociais

Para tentar mudar essa situação, a conscientização/ação (primeiro conhecer e depois agir) dos problemas sociais passa a ser tarefa obrigatória de todos. Nesse pormenor, o economista moderno, acostumado aos números da desigualdade social, precisa também de uma transformação conceitual interna entendendo que deve ser (e agir) como apóstolo das transformações sociais, e não como mero técnico e analista de números e estatísticas que não enchem a barriga de ninguém.

Contra a exclusão, a favor da inclusão. Contra a pobreza, a favor dos pobres, dos deserdados, dos excluídos, dos perseguidos, dos mutilados. Essa deve ser a conduta daqueles ao se engajarem na luta por um mundo melhor. Tanto os mais ricos quanto os mais pobres dos pobres tem os mesmos direitos, e esses precisam ser resguardados.

Essa luta, no entanto, é intensa. Afinal, contrariar interesses constituídos em favor dos poderosos não é tarefa fácil. Essa luta passa pela democratização do acesso à terra, contra o latifúndio; pela geração de emprego com justa remuneração, contra o subemprego e a pífia condição de trabalho. Pelo direito de se alimentar, contra a abundância dos alimentos mal distribuídos. Pela paz, em lugar da guerra. Pela vida, contra a morte.

Para isso, há uma tarefa descomunal pela frente na tentativa de mudar a sorte dessa multidão que morre de fome e que conhece, de perto, o drama da exclusão. O homem moderno não pode se curvar e se ausentar dessa missão. Essa tarefa deve ser seu objetivo de vida. O escritor cubano Alejo Carpentier diz, na parte final de O reino deste mundo que devemos “descobrir as tarefas que ficam por terminar, que serão sucedidas no futuro por outras tarefas, de forma que sempre haverá tarefas”.

É verdade que não fomos consultados para vir ao mundo, mas exigimos que nos consultem para viver nele. E, de toda sorte, queremos viver num mundo mais justo e menos desigual. Acima de tudo, e contra os opressores, vale lembrar as palavras do poeta Rabindranath Tagore, em Meditações: “Desejamos que a próxima civilização não se baseie tão somente na competição e na exploração econômica e política, mas na cooperação social de todo o mundo, em idéias espirituais de reciprocidade, e não em idéias econômicas de eficiência”.

Marcus Eduardo de Oliveira – Adital
Economista e professor universitário. Mestre pela USP em Integração da América Latina e Especialista em Política Internacional

Fonte: http://foradazonadeconforto.blogspot.com/2009/08/contra-pobreza-favor-dos-pobres.html

Serão nossas vidas manjedouras solidárias?

Deus em miúda versão humana.

Verbo feito choro de criança,

impotência total frente aos poderes…

Falaremos por Ele?

Acolheremos o pranto dos que clamam

contra a fome e o sofrimento?

Empunharemos a Paz,

amanhecida na noite do Deus

que veio ínfimo?

Serão nossas vidas manjedouras solidárias?

(Pedro Casaldáliga)

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